26 de set. de 2026

RICK WAKEMAN — Return to the Red Planet - 2026


Há algo simpático na ideia de Rick Wakeman fazer as malas para Marte mais uma vez. A capa de Return to the Red Planet, com seu foguete, o astronauta e a paisagem alaranjada, lembra aquelas ilustrações de ficção científica que faziam a gente imaginar o espaço antes de saber muita coisa sobre ele. 

É uma imagem que convida a parar, olhar os detalhes e entrar na história. Para um disco de rock progressivo, já é um belo começo.

Com lançamento marcado para 16 de outubro de 2026, pela Madfish Music, o trabalho retoma o universo de The Red Planet, de 2020. 

Segundo Wakeman, novas imagens e descobertas sobre Marte despertaram a vontade de voltar ao tema. Esse ponto torna o projeto interessante: existe uma curiosidade concreta por trás da viagem, uma vontade de transformar o que ele aprende sobre o planeta em música.

Os nove títulos ajudam a desenhar esse percurso. “The Jezero Crater”, “Noctis Labyrinthus” e “The Epochs of Mars” sugerem um álbum pensado como uma exploração, com lugares e dimensões de tempo diferentes. Gosto dessa proposta porque ela oferece ao ouvinte uma história para acompanhar, mas também deixa espaço para imaginar suas próprias paisagens. Resta ouvir como essas ideias se sustentam nas composições — nomes sugestivos criam expectativa, mas é a música que precisa dar vida ao cenário.

O detalhe que mais me chama a atenção, porém, está bem longe da superfície marciana: a decisão de gravar com a banda reunida. Lee Pomeroy, Dave Colquhoun, Adam Falkner e Mollie Marriott participam do trabalho com o English Rock Ensemble. Em um projeto associado a um tecladista tão reconhecível, interessa perceber quanto espaço haverá para a personalidade desses músicos e para a conversa entre eles. 
A gravação coletiva, realizada no Decoy Studios, dá uma boa razão para esperar esse encontro.

“Bowie’s Vision” acrescenta uma dimensão afetiva à proposta. A homenagem a David Bowie carrega uma ligação real: Wakeman tocou piano em “Life on Mars?”. Voltar a esse imaginário agora também significa revisitar uma parte da própria vida. Antes mesmo de qualquer julgamento sobre a faixa, esse vínculo já lhe dá um peso especial. No meio de crateras, desertos e eras geológicas, aparece a lembrança de alguém com quem se fez música.

É essa combinação que torna Return to the Red Planet promissor: a escala grandiosa do assunto e as relações humanas envolvidas em sua criação. Naturalmente, uma continuação traz a dúvida sobre o que ainda pode acrescentar ao primeiro trabalho. A resposta dependerá de melodias que permaneçam na memória, de arranjos que justifiquem seus caminhos e de uma banda capaz de fazer a aventura acontecer.

Por enquanto, a expectativa é boa. A capa desperta aquele prazer antigo de descobrir um disco, ler seus títulos e tentar adivinhar o que existe lá dentro. Wakeman escolheu voltar a Marte; a vontade, deste lado, é colocar os fones e descobrir o que o fez querer retornar.

Em respeito ao artista, o link com o audio do álbum será incluido nesta postagem após seu lançamento oficial em 16/10/2026.

PS: Gostei demais das músicas, Wakeman acertou em cheio nos temas, viagem garantida.

Track List:
01 The Jezero Crater — i. Shenandoah; ii. Hogwallow Flats Pt. 1; iii. The Yori Pass; iv. Hogwallow Flats Pt. 2
02 Bowie’s Vision
03 Noctis Labyrinthus
04 Noachis Terra (Land of Noah)
05 Witch Hazel Hill
06 St. Pauls Bay
07 Martian Dust Devils
08 Medusae Fossae
09 The Epochs of Mars — i. Noachian; ii. Hesperian; iii. Amazonian



8 de set. de 2026

GENESIS – Live in Rio - 1977




Quase meio século depois, esta gravação ainda me conduz ao Maracanãzinho, no Rio de Janeiro, em maio de 1977. O som captado da transmissão das rádios Eldo Pop FM e Mundial AM, conserva as marcas do tempo, mas também guarda algo que nenhuma remasterização seria capaz de reproduzir: a emoção de uma noite que eu tive o privilégio de viver. 
Naquele palco estava o Genesis em uma de suas formações mais extraordinárias, trazendo ao Brasil a grandiosidade da turnê de Wind & Wuthering e escrevendo, diante de nossos olhos, uma página definitiva da história do rock progressivo.
O grupo desembarcava no país vivendo um momento decisivo de sua trajetória. Phil Collins já havia assumido os vocais principais, mas o Genesis ainda conservava a sofisticação instrumental, as longas construções sinfônicas e a atmosfera teatral que marcaram sua fase mais progressiva. No palco estavam Tony Banks, Mike Rutherford, Steve Hackett e Phil Collins, acompanhados pelo extraordinário Chester Thompson na bateria e percussão.
Era também uma formação que não voltaria a se repetir. Aquela seria a última turnê de Steve Hackett com o Genesis, tornando os concertos brasileiros ainda mais valiosos historicamente. Pouco tempo depois, a banda se transformaria em um trio e, gradualmente, buscaria caminhos musicais mais diretos. 
Naquele momento, entretanto, ainda havia espaço para mudanças inesperadas de andamento, extensas passagens instrumentais e paisagens sonoras capazes de transportar o público para muito além das arquibancadas do ginásio.
Desde os primeiros instantes, percebe-se um Genesis seguro e tecnicamente impressionante. A voz de Phil Collins já possuía personalidade própria, sem abandonar completamente a dramaticidade exigida pelo repertório dos tempos de Peter Gabriel. 
Além de cantar, Collins demonstrava uma presença comunicativa e espontânea, estabelecendo com a plateia brasileira uma proximidade que contrastava com a complexidade quase solene da música.
Tony Banks, cercado por seus teclados, era o grande arquiteto das atmosferas do espetáculo. 
Seus acordes de órgão, piano elétrico e sintetizadores preenchiam o Maracanãzinho com uma sonoridade majestosa. 
Mike Rutherford sustentava a base com enorme precisão, alternando entre baixo e guitarra, enquanto Steve Hackett acrescentava aquele toque delicado, misterioso e profundamente emotivo que sempre distinguiu sua passagem pelo grupo.
A presença de Chester Thompson também merece destaque. Sua interação com Phil Collins, especialmente nos momentos de maior intensidade rítmica, dava ao Genesis uma força impressionante. Os dois bateristas construíam verdadeiros diálogos percussivos, fazendo com que a música crescesse até alcançar proporções quase cinematográficas.
O repertório reunia diferentes capítulos da história do grupo. Obras recentes como “Squonk”, “One for the Vine”, “Eleventh Earl of Mar”, “Inside and Out” e a belíssima sequência “…In That Quiet Earth” e “Afterglow” dividiam espaço com clássicos já consagrados, entre eles “Firth of Fifth”, “The Carpet Crawlers”, “I Know What I Like” e a monumental “Supper’s Ready”. 
O encerramento com “Dance on a Volcano” e “Los Endos” mostrava uma banda em plena potência, unindo precisão, emoção e uma energia poucas vezes alcançada no rock progressivo.
A gravação preservada neste bootleg, realizada a partir da transmissão radiofônica das rádios Eldo Pop FM e Mundial AM, naturalmente carrega as limitações técnicas de sua época. 
Ainda assim, é justamente essa característica que lhe confere uma atmosfera tão especial. 
Não estamos diante da limpeza sonora de uma produção oficial, mas de um documento vivo: um som que atravessou o ar, chegou aos aparelhos de rádio e acabou preservado por admiradores que compreenderam a importância daquela apresentação.
As pequenas oscilações, os ruídos e a textura analógica não diminuem sua grandeza. Pelo contrário, aproximam-nos do acontecimento. 
É possível perceber a reação do público, a acústica ampla do Maracanãzinho e o impacto provocado pela iluminação intensa, pelos teclados de Banks, pelas guitarras de Hackett e pelo encontro das duas baterias.
Para mim, ouvir este registro significa retornar a um tempo em que assistir a uma banda internacional desse porte no Brasil era algo raro, quase inacreditável. 
Estar presente naquele ginásio foi testemunhar um dos maiores nomes do rock progressivo justamente quando uma de suas eras mais importantes se aproximava do fim.
Genesis – Live in Rio 1977 é muito mais do que um bootleg. É uma cápsula do tempo, um fragmento preservado de uma noite inesquecível e o testemunho sonoro do momento em que o Genesis trouxe ao Rio de Janeiro toda a beleza, a complexidade e a emoção de sua música. 
Para quem esteve lá, como eu, cada nova audição representa um reencontro, não apenas com a banda, mas também com uma parte preciosa da própria vida.
Este bootleg não é inédito aqui no blog — acredito que esta seja a terceira vez que o publico. Entretanto, com o passar dos anos, os sentimentos e as percepções em relação àquele concerto também se transformam. 
Curiosamente, embora a distância no tempo seja cada vez maior, sinto-me ainda mais próximo daqueles dois dias, 14 e 15 de maio, simplesmente inesquecíveis. Só não lembro o horário, pois foram duas apresentações as 18 e 21h em cada dia. 

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7 de set. de 2026

PINK FLOYD – Hollywood Bowl - 1972



Há registros ao vivo que documentam uma apresentação; outros capturam o exato momento em que uma obra-prima ainda está sendo construída. Este concerto do Pink Floyd, realizado no Hollywood Bowl, em Los Angeles, em 22 de setembro de 1972, pertence claramente à segunda categoria. Diante de uma plateia que ainda não conhecia o futuro reservado àquelas composições, Roger Waters, David Gilmour, Richard Wright e Nick Mason apresentaram praticamente toda a suíte que, cerca de seis meses depois, se transformaria em The Dark Side of the Moon.

Uma pequena correção histórica se faz necessária, pois o álbum não foi lançado em 1974, mas em março de 1973. A associação com 1974 provavelmente vem da célebre apresentação de Wembley daquele ano, posteriormente lançada oficialmente. No Hollywood Bowl, porém, o público ouviu antecipadamente todas as peças que formariam o disco, ainda com arranjos em desenvolvimento e algumas diferenças bastante reveladoras. O próprio Pink Floyd confirma que o material foi parcialmente desenvolvido nos palcos antes de sua gravação definitiva em Abbey Road.

Desde os primeiros efeitos de Speak to Me e a entrada contemplativa de Breathe, percebe-se que a arquitetura conceitual do trabalho já estava estabelecida. A sequência flui como uma longa reflexão sobre o tempo, a ansiedade, a morte, o dinheiro e a fragilidade da mente humana. Entretanto, o que se ouve aqui não é simplesmente uma reprodução antecipada do álbum: é uma versão mais crua, orgânica, visceral e, em alguns momentos, quase experimental daquela música.

A diferença mais marcante surge em On the Run, ainda apresentada como The Travel Sequence. Em lugar da pulsação eletrônica vertiginosa que seria criada em estúdio, encontramos uma passagem instrumental conduzida por guitarra, baixo e teclados, muito mais próxima do Pink Floyd psicodélico do início da década. The Great Gig in the Sky, anteriormente chamada The Mortality Sequence, também aparece sem a histórica interpretação vocal de Clare Torry. A composição repousa sobre o piano de Richard Wright e assume uma atmosfera mais sombria e meditativa, como se ainda procurasse a forma emocional definitiva que alcançaria no disco.

Outras músicas já se encontram surpreendentemente próximas das versões conhecidas. Time possui sua dramaticidade essencial, sustentada pelos tambores de Nick Mason, pelos teclados de Wright e pela voz expressiva de Gilmour. Money já exibe sua métrica incomum e seu caráter irônico, enquanto Us and Them se espalha pelo anfiteatro com solenidade e melancolia. Em Any Colour You Like, então conhecida como Scat, o grupo abre espaço para a improvisação, fazendo dos sintetizadores e da guitarra uma espécie de conversa cósmica.

O encerramento da suíte, com Brain Damage e Eclipse, é particularmente emocionante. Ainda sem toda a grandiosidade vocal e os detalhes de produção que seriam acrescentados em estúdio, as duas faixas revelam a força da concepção de Roger Waters. Ao chegar ao último acorde, fica evidente que o Pink Floyd já havia encontrado algo maior do que uma simples coleção de canções: havia criado uma experiência contínua, capaz de transformar inquietações humanas universais em música.

Depois dessa impressionante visão do futuro, o concerto retorna ao repertório já conhecido. One of These Days avança com peso e agressividade; Careful with That Axe, Eugene constrói seu habitual clima de ameaça; e Echoes, estendida e profundamente atmosférica, reafirma a extraordinária capacidade do quarteto de criar paisagens sonoras. Relembra também de Set The Controls For The Heart Of The Sun e, A Saucerful of Secrets completa a viagem, recuperando o lado mais abstrato e imprevisível da banda.

A gravação possui as limitações naturais de um registro de época, mas isso pouco diminui sua importância. Na verdade, certa aspereza sonora contribui para a sensação de estarmos diante de um documento secreto, preservando uma noite em que milhares de pessoas ouviram o futuro sem ainda saber disso. O repertório confirmado da apresentação reúne a suíte completa de The Dark Side of the Moon, seguida por clássicos da fase psicodélica e espacial do grupo.


Hollywood Bowl 1972
é, portanto, muito mais do que mais um registro ao vivo do Pink Floyd. É o momento de uma banda atravessando uma fronteira artística: deixando para trás parte de sua identidade psicodélica e encontrando a linguagem madura, conceitual e profundamente humana que logo a transformaria em um dos maiores nomes da história do rock. Poucos meses depois, aquelas músicas conquistariam o mundo. Nesta noite, contudo, elas ainda respiravam livremente no palco — imperfeitas, ousadas e fascinantemente vivas.


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3 de set. de 2026

YES - Richfield Coliseum - 1978




Registrado em 19 de setembro de 1978, no Richfield Coliseum, em Ohio, e originalmente transmitido pelo rádio, este concerto captura o Yes em uma fase particularmente interessante de sua trajetória.
A banda celebrava dez anos de existência e apresentava ao público norte-americano parte do repertório de Tormato, álbum que seria lançado nos Estados Unidos poucos dias depois. No palco estava uma de suas formações mais emblemáticas: Jon Anderson, Steve Howe, Chris Squire, Rick Wakeman e Alan White.

Mais do que um simples documento de época, Richfield Coliseum 1978 revela cinco músicos de personalidades muito diferentes trabalhando como uma única força criativa.

Mesmo com a complexidade das composições, o Yes nunca soa frio ou excessivamente calculado. Existe energia, espontaneidade e, sobretudo, uma impressionante sensação de movimento. A abertura com “Siberian Khatru” estabelece imediatamente o nível da apresentação.

A guitarra de Steve Howe alterna precisão e agressividade, enquanto o baixo de Chris Squire ocupa um espaço muito maior do que o tradicionalmente reservado ao instrumento. Seu Rickenbacker não apenas sustenta a música: responde à guitarra, impulsiona as mudanças rítmicas e frequentemente assume uma função quase solista.
Em “Heart of the Sunrise”, esse diálogo instrumental alcança um de seus momentos mais intensos. Alan White conduz as transições com força e segurança, enquanto Rick Wakeman preenche a paisagem sonora com camadas de teclados que ampliam a dimensão sinfônica da composição.
Sobre essa arquitetura complexa surge a voz cristalina de Jon Anderson, oferecendo leveza e espiritualidade a uma música construída sobre contrastes, pausas e explosões instrumentais. As então recentes “Future Times/Rejoice”, “Circus of Heaven”, “Don’t Kill the Whale”, “Madrigal” e “On the Silent Wings of Freedom” mostram uma banda que, apesar de já possuir um repertório consagrado, ainda se recusava a viver apenas do passado.

Algumas dessas composições dividiriam opiniões no álbum Tormato, mas, no ambiente do palco, ganham maior vigor, liberdade e presença. “On the Silent Wings of Freedom”, especialmente, permite que a seção rítmica formada por Squire e White exiba todo o seu peso.

Outro ponto marcante é o grande medley que percorre diferentes períodos da história do grupo, reunindo trechos de “Time and a Word”, “Long Distance Runaround”, “Survival”, “The Fish”, “Perpetual Change” e “Soon”.

Não se trata apenas de uma sequência de lembranças para agradar aos fãs, mas de uma verdadeira retrospectiva musical. Em poucos minutos, o Yes revisita suas próprias transformações e demonstra como, desde os primeiros discos, vinha ampliando os limites estruturais e sonoros do rock. Há também espaço para a delicadeza acústica de Steve Howe em “Clap”, para o virtuosismo teatral dos teclados de Rick Wakeman e para a monumentalidade de “Awaken”.

Esta última surge como o grande momento espiritual do concerto: uma composição que cresce lentamente, atravessa passagens contemplativas e alcança proporções quase litúrgicas. Já “I’ve Seen All Good People” e “Roundabout” encerram a apresentação de maneira vibrante, aproximando a sofisticação progressiva da resposta imediata de uma grande plateia. A própria concepção da turnê reforçava essa busca por uma experiência envolvente.

O grupo se apresentava em um palco circular e rotativo montado no centro das arenas, permitindo que diferentes setores do público acompanhassem os músicos de perto. Era uma estrutura ambiciosa, compatível com uma banda que sempre tratou seus concertos como extensões visuais e sonoras de seus discos.

Historicamente, o Yes ocupa uma posição fundamental no desenvolvimento do rock progressivo mundial. Ao lado de nomes como Genesis, King Crimson, Emerson, Lake & Palmer e Pink Floyd, o grupo ajudou a transformar o álbum de rock em um espaço aberto para suítes extensas, influências clássicas, jazzísticas e folclóricas, mudanças de andamento e sofisticadas harmonias vocais.

Sua importância, porém, não se limita ao virtuosismo, pois o Yes demonstrou que músicas longas e desafiadoras também poderiam conquistar grandes plateias. Décadas depois, essa contribuição seria reconhecida com a entrada da banda no Rock and Roll Hall of Fame, em 2017.

A natureza radiofônica da gravação conserva certa aspereza e não oferece o acabamento de um álbum ao vivo cuidadosamente produzido. Em compensação, transmite uma sensação de proximidade rara, como se o ouvinte estivesse diante do palco naquela noite.

Pequenas imperfeições tornam o registro ainda mais humano e ajudam a revelar a verdadeira força do Yes, que não é apenas executar peças complexas, mas fazê-las respirar diante do público.
Richfield Coliseum 1978 é, portanto, o retrato de uma banda madura, ousada e ainda inquieta.

Um Yes capaz de olhar para sua própria história sem abandonar o desejo de avançar e de transformar técnica, imaginação e emoção em uma experiência que permanece viva muito além de seu tempo, sendo a fotografia do momento que a banda estava vivendo.






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