Há algo simpático na ideia de Rick Wakeman fazer as malas para Marte mais uma vez. A capa de Return to the Red Planet, com seu foguete, o astronauta e a paisagem alaranjada, lembra aquelas ilustrações de ficção científica que faziam a gente imaginar o espaço antes de saber muita coisa sobre ele.
É uma imagem que convida a parar, olhar os detalhes e entrar na história. Para um disco de rock progressivo, já é um belo começo.
Com lançamento marcado para 16 de outubro de 2026, pela Madfish Music, o trabalho retoma o universo de The Red Planet, de 2020.
Segundo Wakeman, novas imagens e descobertas sobre Marte despertaram a vontade de voltar ao tema. Esse ponto torna o projeto interessante: existe uma curiosidade concreta por trás da viagem, uma vontade de transformar o que ele aprende sobre o planeta em música.
Os nove títulos ajudam a desenhar esse percurso. “The Jezero Crater”, “Noctis Labyrinthus” e “The Epochs of Mars” sugerem um álbum pensado como uma exploração, com lugares e dimensões de tempo diferentes. Gosto dessa proposta porque ela oferece ao ouvinte uma história para acompanhar, mas também deixa espaço para imaginar suas próprias paisagens. Resta ouvir como essas ideias se sustentam nas composições — nomes sugestivos criam expectativa, mas é a música que precisa dar vida ao cenário.
O detalhe que mais me chama a atenção, porém, está bem longe da superfície marciana: a decisão de gravar com a banda reunida. Lee Pomeroy, Dave Colquhoun, Adam Falkner e Mollie Marriott participam do trabalho com o English Rock Ensemble. Em um projeto associado a um tecladista tão reconhecível, interessa perceber quanto espaço haverá para a personalidade desses músicos e para a conversa entre eles.
A gravação coletiva, realizada no Decoy Studios, dá uma boa razão para esperar esse encontro.
“Bowie’s Vision” acrescenta uma dimensão afetiva à proposta. A homenagem a David Bowie carrega uma ligação real: Wakeman tocou piano em “Life on Mars?”. Voltar a esse imaginário agora também significa revisitar uma parte da própria vida. Antes mesmo de qualquer julgamento sobre a faixa, esse vínculo já lhe dá um peso especial. No meio de crateras, desertos e eras geológicas, aparece a lembrança de alguém com quem se fez música.
É essa combinação que torna Return to the Red Planet promissor: a escala grandiosa do assunto e as relações humanas envolvidas em sua criação. Naturalmente, uma continuação traz a dúvida sobre o que ainda pode acrescentar ao primeiro trabalho. A resposta dependerá de melodias que permaneçam na memória, de arranjos que justifiquem seus caminhos e de uma banda capaz de fazer a aventura acontecer.
Por enquanto, a expectativa é boa. A capa desperta aquele prazer antigo de descobrir um disco, ler seus títulos e tentar adivinhar o que existe lá dentro. Wakeman escolheu voltar a Marte; a vontade, deste lado, é colocar os fones e descobrir o que o fez querer retornar.
Em respeito ao artista, o link com o audio do álbum será incluido nesta postagem após seu lançamento oficial em 16/10/2026.
PS: Gostei demais das músicas, Wakeman acertou em cheio nos temas, viagem garantida.
Track List:
01 The Jezero Crater — i. Shenandoah; ii. Hogwallow Flats Pt. 1; iii. The Yori Pass; iv. Hogwallow Flats Pt. 202 Bowie’s Vision
03 Noctis Labyrinthus
04 Noachis Terra (Land of Noah)
05 Witch Hazel Hill
06 St. Pauls Bay
07 Martian Dust Devils
08 Medusae Fossae
09 The Epochs of Mars — i. Noachian; ii. Hesperian; iii. Amazonian


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