Distribuída por seis CDs, a coletânea aproxima músicos britânicos e alemães que, embora tenham seguido caminhos diferentes, compartilhavam a mesma inquietação artística: transformar o rock em um território aberto à experimentação, à improvisação e à imaginação.
O título pode sugerir uma concentração exclusiva no krautrock, mas o alcance do box é consideravelmente maior.
Boa parte de seu conteúdo percorre diferentes vertentes do progressivo britânico, reunindo figuras ligadas ao Genesis, King Crimson, Yes, Atomic Rooster, Van der Graaf Generator, Gong, Hawkwind e à fértil cena de Canterbury.
Steve Hackett, Anthony Phillips, Phil Collins, Robert Wyatt, Rick Wakeman, Carl Palmer, Steve Howe, Hugh Hopper, Richard Sinclair, Daevid Allen e Ginger Baker aparecem ao lado de bandas como Audience, Cressida, Warhorse, Third Ear Band, Slapp Happy e Arthur Brown’s Kingdom Come.
Essa reunião permite observar como muitos desses artistas ajudaram a expandir o vocabulário do rock.
Alguns partiram da música clássica e das construções sinfônicas; outros incorporaram jazz, psicodelia, folk, música eletrônica e improvisação livre.
O resultado é um painel bastante diverso, no qual a sofisticação instrumental convive com a irreverência, o lirismo e uma permanente vontade de descobrir novas formas de expressão.
Quando a coletânea se volta mais diretamente para a Alemanha, sua personalidade torna-se ainda mais singular. Birth Control, Atlantis, Annexus Quam, Bröselmaschine, Hölderlin, Embryo, Mythos e Wallenstein representam diferentes faces de uma geração que recusou simplesmente reproduzir o rock anglo-americano.
Cada uma dessas bandas procurou construir uma linguagem própria, misturando longas passagens instrumentais, ritmos hipnóticos, eletrônica embrionária, jazz, elementos orientais e uma forte sensação de liberdade coletiva.
Há também personagens cuja presença ajuda a compreender o lado mais profundo e quase ritualístico do krautrock. Sergius Golowin, Walter Wegmüller, The Cosmic Jokers e Anima pertencem a uma zona em que música, poesia, misticismo e experimentação sonora se confundem.
São trabalhos que não obedecem às estruturas tradicionais da canção e convidam o ouvinte a entrar em ambientes sonoros, em vez de simplesmente acompanhar composições convencionais.
Nesse contexto, colocar nomes consagrados ao lado de grupos menos conhecidos é uma das maiores virtudes do box. A familiaridade proporcionada por artistas como Hackett, Wakeman, Wyatt, Hawkwind e Van der Graaf Generator abre caminho para descobertas como Walpurgis, Emtidi, Second Hand, Chillum, Bodast e Bröselmaschine.
A coletânea não estabelece uma hierarquia entre eles: apresenta todos como partes de uma mesma história de ousadia e transformação.
Naturalmente, não se trata de uma narrativa definitiva sobre o rock progressivo ou sobre o krautrock. As duas cenas foram vastas demais para caberem em apenas seis discos.
Ainda assim, a seleção possui enorme valor por revelar os diálogos existentes entre músicos que, em países e contextos distintos, estavam tentando libertar o rock de suas fórmulas mais previsíveis.
Elas documentam um período em que o estúdio se tornou instrumento, a improvisação passou a orientar
caminhos inteiros e o álbum deixou de ser apenas uma coleção de músicas para se transformar em experiência artística.
caminhos inteiros e o álbum deixou de ser apenas uma coleção de músicas para se transformar em experiência artística.
Mais do que preservar gravações importantes, The Krautrock & Progressive Box Set reúne diferentes maneiras de imaginar o futuro — muitas das quais continuam surpreendentemente vivas.
É uma coletânea para ser explorada sem pressa.
Não apenas como uma viagem nostálgica, mas como testemunho de uma geração que acreditava que a música ainda podia atravessar fronteiras, provocar estranhamento e criar mundos inteiramente novos.



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