8 de abr. de 2022

GENESIS - "O Fim de Uma Era" - 2022

 
Ao longo de alguns dias, tenho assistido uns poucos vídeos do último show de uma das bandas mais emblemáticas do Rock Progressivo dos anos setenta, o Genesis, em sua derradeira turnê, intitulada, “The Last Domino Tour?” e encerrada no dia 26/03/2022.

A rigor, um belíssimo espetáculo, com uma cenotécnica fantástica, músicos convidados de primeira categoria, uma arena lotada, trazendo o que restou da formação original do Genesis, com Mike Rutherford elegante como sempre, Tony Banks mandando ver de forma discretíssima e melancolicamente a figura de Phill Collins, destruída pela sequência de doenças que ele teve e mais uma série de cirurgias que se submeteu, que o colocaram sentado em uma cadeira giratóriapara poder cantar suas músicas.

Que pese a idade de todos, provavelmente na casa dos setenta anos, o que hoje em dia não significa um sinônimo de velhice, ver justamente o último show da banda tendo um de seus membros em precárias condições de saúde, é muito triste e melancólico, mas o show foi ótimo, faltando apenas uma canja de Peter Gabriel que estava na plateia prestigiando seus antigos companheiros de banda para fechar com chave de ouro uma trajetória marcante e expressiva para o mundo do rock.




Como não há ainda nenhum material disponível desse show para poder compartilhar, tomo a liberdade de repostar um álbum muito emblemático para mim, uma vez que eu estava assistindo “In loco”, nas duas noites de espetáculo, no Ginásio do  Maracanãzinho, Rio de Janeiro em maio de 1977.

Trata-se da “Genesis Brasil Tour” que passou pelo Rio de Janeiro, São Paulo, Belo Horizonte e Porto Alegre, uma realização do Projeto Aquarius, patrocinado pelas Organizações Globo.

O áudio foi extraído de uma emissão das rádios, Mundial AM e da saudosa ELDO POP FM, que era uma pauleira diária do melhor rock internacional e nacional que se tinha a época.

Nesta época, o Genesis não contava mais com participação de Peter Gabriel, mas ainda tinha uma pegada progressiva muito forte pois já haviam lançado dois álbuns muito bons, sendo o primeiro, “A Trick Of The Tail” e logo na sequência, “Wind and Wuthering”.

O ponto forte destas duas noites de apresentação, como não poderia deixar de ser, ficou a cargo da música “Super’s Ready”, executada de forma intocável, faltando apenas o vocal característico de Peter Gabriel, mas que no final das contas, acabou despercebido, pois o que se ouviu e se viu, foi bom demais, com um Phill Collins muitíssimo simpático, até tentando falar algumas palavras em português.

O show já começa muito bem a partir da introdução do show pois é tocada “Firebird Suite” de Igor Stravinsky, muito utilizada nos shows do Yes, sendo prenuncio do que ainda estava por vir, com uma voz anunciando o início do espetáculo.




Esse show trouxe algumas novidades em termos de pirotecnia, como um canhão lazer que ora pipocava no teto do Ginásio e em outros momentos abria-se em um cone de luz verde sobre Phill Collins e para nós, Brazucas, tudo era uma novidade extrema, não só pela aparição da banda em terras tupiniquins, mas por toda a bagagem tecnológica de ponta que havia disponível nos anos setenta, encantando a todos nós.

E é justamente essa imagem fantástica é que quero ter como a despedida dos palcos de uma das bandas mais importantes da história da música e do rock progressivo em todos os tempos.

Genesis Brasil Tour

Steve Hachett
Mike Rutherford
Tony Banks
Phill Collins
Chester Topson

Set-List

01. Intro
02. Squonk
03. One for the vine
04. Robbery, assault & battery
05. Inside and out
06. Firth of fifth
07. In that quiet earth
08. Afterglow
09. I know what i like
10. Supper's Ready
11. Dance on a Volcano
12. Los Endos
13. The lamb lies down on Broadway
14. The musical box (Excerpt)


LINK

“The Last Domino Tour?”

“The Last Domino Tour?”

Genesis Brasil Tour

12 de mar. de 2022

RIVERSIDE - "Out of Myself" - 2004


Quando pegamos um copo de um liquidificador e botamos dentro o Marillion, Porcupine Tree, Pink Floyd, Dream Theater e mais uma penca de bandas boas, o sumo extraído, chama-se RIVERSIDE.

A Polonia nos brinda com mais uma banda de rock neoprogressivo, simplesmente sensacional, com membros de excepcional personalidade e virtuosismo, que aparentemente tinha ficado para trás, lá nos anos 70/80/90, ou seja, uma gratíssima surpresa.

No primeiro trabalho, o RIVERSIDE já dá a cara a tapa e mostra do que é capaz com o álbum, “Out Of Myself” de dezembro de 2003, lançado de forma independente, sendo relançado por uma gravadora americana em 2004.

Escutando este álbum, a impressão que dá é que tem mais de uma banda tocando ao mesmo tempo, pois a pegada metal da bateria e da guitarra em contraponto com o baixo e os teclados, digamos, progressivos, se fundem numa explosão de criatividade difícil de se encontrar nas bandas dos anos dois mil em diante.

Cada qual faz sua parte de forma cirúrgica, seja nos momentos mais tempestuosos ou nos mais tênues e gentis e desta mistura de magia e criatividade seja qual for a música, a diversão está garantida.

Partindo desse princípio, independente do estilo musical quando este fenômeno acontece, no meu entendimento a principal característica que define se um trabalho é bom ou não fica atendido positivamente, pois o entretenimento está mais que garantido

Muitas vezes, o menos, é mais e no caso do RIVERSIDE, eles fizeram este álbum na medida certa, sem muita pirotecnia ou rodeios, mas na raça, com agressividade e ternura dosadas com muita sabedoria, em músicas absolutamente alucinógenas e viajantes.

O destaque vai para a música título do álbum, “Out Of Myself” que vem com uma pegada muito forte, enredo e arranjos altamente sofisticados e complexos, num crescendo com um clímax fulminante, mas sem exageros e talvez o único pecado desta música, é que ela tem pouca duração, pois merecia muito mais.

A formação do RIVERSIDE para este álbum contou com a participação de Mariusz Duda nos vocais, baixo e guitarra acústica; Piotr Grudziński nas guitarras; Jacek Melnicki nos teclados; Piotr Kozieradzki, bateria e percussão e adicionalmente para a música “OK”, Krzysztof Melnicki no trombone, formando um grupo de feras.

Dá gosto escutar este álbum do começo ao fim sem dar aquela vontade de trocar de faixa, pois uma remete a próxima e assim por diante até quando nos damos conta que o álbum terminou e o tempo passou despercebido.

RIVERSIDE

Mariusz Duda – vocals, bass, acoustic guitar
Piotr Grudziński – lead and rhythm guitars
Jacek Melnicki – keyboards
Piotr Kozieradzki – drums, percussion
With Krzysztof Melnicki: Trombone on "OK"

Setlist:
01 - The Same River 12:01
02 - Out Of Myself 03:44
03 - I Believe 04:15
04 - Reality Dream 06:15 (instrumental)
05 - Loose Heart 04:51
06 - Reality Dream II 04:45 (instrumental)
07 - In Two Minds 04:39
08 - The Curtain Falls 07:59
09 - OK 04:47


20 de fev. de 2022

LIKE WENDY - "The Lost Songs 1996 - 2000" - 2020


O Like Wendy, foi formado a partir de uma brincadeira em um bar na Holanda, já depois de algumas doses de álcool, mas que a princípio nem deu muito certo e, depois seguiu um rumo imprevisível com peças absolutamente sensacionais.

Já tinha postado um álbum, “Tales From Monolith Bay”, logo no início das atividades do blog em dezembro de 2010, mas depois eu deixei de lado e não postei mais nada a respeito.

Entretanto essa semana dando uma fuçada no baú, vi que tinha onze álbuns da banda e, alguns ainda nem escutado, portanto parti para cima, e logo peguei dei de cara com o álbum, “The Lost Songs 1996 – 2000” e para minha surpresa, um álbum que é um refugo de músicas não lançadas e alguns "outtakes" dos álbuns anteriores, é supreendentemente maravilhoso.

O nível de sofisticação das músicas me deixou um tanto confuso, pois são músicas que jamais poderiam estar de fora de qualquer álbum lançado, um verdadeiro desperdício de criatividade relegado a uma coletânea tipo “b-sides”.

Levando em conta que praticamente tudo é feito por “Bert Heinen”, o fundador da banda, que depois de algum tempo, pelo menos uns sete anos, chama para dentro da banda, um baterista e tecladista chamado "Marien", para reforçar os arranjos.

Em geral, o resultado é supreendentemente muito bom, levando se em conta um trabalho solitário, mas com uma riqueza musical acima de qualquer coisa, um banho de criatividade e talento que as vezes alguns músicos são abençoados por esse dom divino.


Realmente tem algumas músicas que fogem da normalidade, pois são muito ricas em termos de arranjos e letras, dentre as quais, posso citar “My Fortress”, “Creation” e “Safe” que aparecem nesta mesma sequência, sem desmerecer as demais de forma alguma, pois são grandes peças.

Impressiona a qualidade musical, pois são músicas totalmente preenchidas de emoção, criatividade e sofisticação em seus arranjos, praticamente executadas por uma única pessoa, que sem muita dificuldade, passeia por cenários onde grandes estrelas já passaram, como o Genesis, Camel, Yes e pasmem, até o Pink Floyd, passando também por Pendragon e IQ, sem perder a sua identidade e definindo muito bem o seu DNA.

Obviamente com uma roupagem pós anos setenta, mas com muita consistência e personalidade e, muito talento, pois o homem é uma fera, principalmente nas guitarras e teclados, com um vocal muitíssimo apurado e afinado, ou seja, garante seu trabalho no braço e na boca sem maiores dificuldades.

O álbum como um todo, é uma diversão e entretenimento garantido, com direito a bis para algumas músicas, pois realmente merecem uma atenção mais profunda.

Like Wendy
Bert Heinen
Marien

Set-list
1-1 Running Scared 7:34
1-2 Sequencer And Guitar 1:00
1-3 End Of Daylight 5:58
1-4 Miracle 2:06
1-5 The Empress 6:38
1-6 My Fortress 6:13
1-7 Creation 12:00
2-1 Safe 5:14
2-2 Fog On The Way 5:58
2-3 Still Believe 2:13
2-4 21th Century 6:21
2-5 After The Storm 7:14
2-6 On These Bare Fields 10:30
2-7 Before My Time 3:42


Como não há vídeo disponível das músicas acima, segue a versão original  da música "The Storm Inside" do álbum de mesmo nome.

12 de fev. de 2022

PINK FLOYD - "The Heart Of The Moon" - 1972


Neste bootleg, “The Heart Of The Moon”, temos um PINK FLOYD, recém-saído da fase psicodélica, mergulhando no mais intenso rock progressivo que a Europa estava oferendo a todos, no início dos anos 70.

De começo de conversa, o que viria a ser o álbum The Dark The Side Of The Moon, aparece de forma ainda embrionária, mas já mostrava ao que vinha e o que viria a ser em um futuro muito próximo, tornando-se um álbum mais que fundamental para qualquer pessoa que goste de música e, principalmente os amantes do rock progressivo. 


Estamos em outro século e o álbum continua atual, atraindo jovens, encantado diversas gerações que não se cansam de escutá-lo, com a mesma vibração a época de suas primeiras audições.

A concepção de “TDSOTM” é simplesmente hipnótica, não dá para fugir de seus encantos, como se fosse os “cantos das sereias”, ou seja, não tem como escapar ao seu poder de atração e fidelidade.

Apesar de todos os conflitos internos que a banda passou desde a era Sid Barrett até a saída de Roger Waters, sempre houve uma sinergia muito grande entre os músicos, principalmente quando os egos de cada um estavam de lado e o objetivo principal estava no foco de todos, o resultado já sabemos bem qual era.



Sem dúvidas, o Pink Floyd é um ponto fora da curva da normalidade musical, tanto que até hoje, David Gilmour de forma individual ou junto a banda, assim como Roger Waters, arrastam multidões em seus shows performáticos, atraindo gente de tudo quanto é tipo e idade.

O fato de estarem com suas idades avançadas, algo em torno dos setenta anos, não influi absolutamente em nada em relação as suas carreiras, pois mesmo com todo esse tempo, suas performances continuam perfeitas, talvez mais serenas, mas sempre perfeitas e para quem fica diante deles, só Deus sabe!


Voltando ao bootleg, além da integra parcial de “TDSOTM” (faltou The Great Gig In Sky), outras perolas foram inseridas para completar o show gravado em 28 de abril de 1972, no Auditorium Theater em Chigago, Illinois, USA, como “One Of The Days”, “Echoes", "Carefull With That Axe, Eugene” e “Set The Controls For The Heart Of The Sun”, fechando o set list.

PINK FLOYD
David Gimour;
Nick Mason;
Roger Waters;
Rick Wrigth

SET LIST
CD1
01. Speak To Me
02. Breathe
03. The Traveler's Sequence
04. Time
05. Breathe (reprise)
06. The Mortality Sequence
07. Money
08. Us & Them
09. Dave's Scat Section
10. Brain Damage
11. Eclipse

CD2
01. One of these Days
02. Careful what Axe, Eugene
03. Echoes
04. Set The Controls for the Heart of the Sun

LINK


8 de fev. de 2022

YES - “From a Page – Studio Tracks Plus” - “In the presente Live From Lyon” - 2021


A música “To The Moment”, do álbum “From a Page” tem um título muito sugestivo, pois por um momento de raro brilhantismo, o YES parece que ressurge das cinzas e nos brinda com uma única música que nos remete a uma era um tanto esquecida.

A música conseguiu reunir os ingredientes necessários para voltar a encantar o ouvinte e faz parte de uma série de gravações que aconteceram entre os anos de 2009 e 2010, tendo aos teclados Oliver Wakeman, Steve Howe, Chris Squire, Alan White e pasmem Benoit David.

O grupo estava reunido para as gravações de “Fly From Here” que acabou sendo lançado apenas em 2011, sem a presença de Oliver Wakeman que havia sido expulso da banda e substituído por Geoff Downes.

Como nos últimos tempos o YES, virou uma espécie de “Casa da Mãe Joana”, onde tudo é possível de acontecer, o álbum “In the presente Live From Lyon” gravado em 2009, foi relançado com o título de “From a Page – Studio Tracks Plus” - “In the presente Live From Lyon”, agora em 2021.

Confusões a parte e resumindo esse imbróglio todo, são quatro músicas que não foram aproveitadas em “Fly From Here” a época de sue lançamento e agora foram inseridas junto ao álbum ao vivo.

O destaque vai para “To the Moment” que tem seu enredo muito bem alinhavado por Oliver Wakeman, com Benoit David ainda afinadíssimo e como não poderia deixar de ser, os demais membros da banda fazendo o melhor como sempre.

O arranjo musical é altamente sofisticado, com variações altamente explosivas e contagiantes, mesmo em nos momentos mais tênues, entretanto a letra não é lá essas coisas, mas a música é sensacional, e para mim, já vale todo o álbum.

Oliver Wakeman, não nega as suas origens e muito menos o seu DNA e teve participação muito intensa na criação desta e das demais músicas do álbum de estúdio.

Com seu pai, aprendeu muito bem a lição de como ser um músico virtuoso, portanto criar variadas atmosferas musicais e ainda surfar em seus sintetizadores grandes ondas, tudo ao mesmo tempo, sem falhas ou deslizes, é atitude de um músico de respeito.

Apenas para encerrar, o conjunto da obra desse álbum, é bem palatável, e não pode faltar na coleção dos amantes da música do YES.

YES:
Oliver Wakeman, 
Steve Howe, 
Chris Squire, 
Alan White,
Benoit David.

Tracklist:
From a Page – Studio Tracks Plus
01. To The Moment (6:13)
02. Words On A Page (6:21)
03. From The Turn Of A Card (3:27)
04. The Gift Of Love (9:57)
In the presente Live From Lyon
05. Siberian Khatru (Live From Lyon) (10:40)
06. I've Seen All Good People (Live From Lyon) (7:17)
07. Tempus Fugit (Live From Lyon) (6:06)
08. Onward (Live From Lyon) (4:38)
09. Astral Traveller (Live From Lyon) (8:49)
10. Yours Is No Disgrace (Live From Lyon) (13:23)
11. And You And I (Live From Lyon) (11:28)
12. Corkscrew (Live From Lyon) (3:42)
13. Second Initial (Live From Lyon) (3:19)
14. Owner of a Lonely Heart (Live From Lyon) (6:06)
15. South Side of the Sky (Live From Lyon) (10:44)
16. Machine Messiah (Live From Lyon) (11:42)
17. Heart of the Sunrise (Live From Lyon) (11:43)
18. Roundabout (Live From Lyon) (9:35)
19. Starship Trooper (Live From Lyon) (13:08)

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