Há discos ao vivo que servem apenas para documentar uma turnê. Outros, porém, têm o poder de congelar um instante em que uma banda parece maior do que ela mesma. Live at Roosevelt Stadium, Jersey City, NJ, 17 June 1976 pertence a essa segunda categoria.
Durante décadas, esse concerto circulou apenas como um dos bootlegs mais cultuados da história do rock progressivo.
Agora, finalmente lançado de forma oficial, ele confirma tudo aquilo que os fãs diziam havia quase cinquenta anos: o Yes estava em um de seus momentos mais inspirados.
O show registra a lendária formação do Yes, com Jon Anderson, Steve Howe, Chris Squire, Patrick Moraz e Alan White, em plena "Solo Albums Tour". Depois do monumental Relayer (1974), cada integrante mergulhou em projetos individuais, e esse período de maturidade artística acabou refletindo diretamente nas apresentações ao vivo. Em vez de simplesmente reproduzir os clássicos, o grupo ampliava as músicas, incorporava novos arranjos e dava espaço para que cada músico exibisse sua personalidade.
Logo na abertura, "Apocalypse" e "Siberian Khatru" deixam claro que não se trata de uma performance comum. A precisão técnica impressiona, mas nunca soa mecânica. Chris Squire domina a base com seu baixo inconfundível, enquanto Steve Howe alterna agressividade e delicadeza com absoluta naturalidade. Alan White mantém toda a engrenagem funcionando com potência e elegância, e Patrick Moraz acrescenta uma textura jazzística que diferencia esta fase de qualquer outra da história do Yes.
O verdadeiro ponto alto chega com "Sound Chaser" e, principalmente, "The Gates of Delirium". A complexidade da suíte continua desafiadora quase cinquenta anos depois, mas a banda executa cada mudança de andamento com uma confiança impressionante.
Há momentos em que parece haver improvisação; em outros, tudo soa matematicamente calculado. É justamente essa tensão entre liberdade e precisão que torna esta apresentação tão fascinante.
Os trechos dedicados aos trabalhos solo também funcionam muito melhor do que se poderia imaginar. Patrick Moraz apresenta uma amostra de The Story of I, Jon Anderson oferece um delicado fragmento de Olias of Sunhillow, enquanto Steve Howe emociona com a sempre elegante "Clap".
Com seu vocal inconfundível, Jon Anderson mostra que é uma singularidade no mundo dorock, seja ele qual for.
Longe de quebrar o ritmo do espetáculo, esses momentos ajudam a compreender o enorme universo musical que cada integrante carregava naquele período.
Na segunda metade do concerto, "Ritual" transforma o estádio em uma verdadeira celebração coletiva. A composição, frequentemente considerada difícil para o público casual, ganha uma energia quase hipnótica diante da plateia. Em seguida, "Heart of the Sunrise" e "Roundabout" lembram por que o Yes se tornou uma das maiores bandas de palco dos anos 70: técnica impecável, mas sempre a serviço da emoção.
O encerramento com "I'm Down", clássico dos Beatles, é uma surpresa divertida. Depois de quase duas horas de música extremamente sofisticada, a banda simplesmente resolve se divertir. O resultado é espontâneo, descontraído e revela um lado do Yes que raramente aparecia em seus discos de estúdio.
Do ponto de vista sonoro, é importante lembrar que esta gravação nasceu de uma transmissão ao vivo da rádio WNEW-FM. Embora a remasterização oficial tenha recuperado o material com bastante cuidado, pequenas imperfeições permanecem.
Em vez de prejudicar a experiência, elas reforçam a autenticidade do registro. O ouvinte sente que está realmente presente em Roosevelt Stadium, ouvindo uma das maiores bandas do planeta tocar sem qualquer rede de proteção.
Mais do que um simples lançamento de arquivo, Live at Roosevelt Stadium representa um documento histórico. Ele captura o Yes exatamente no ponto de equilíbrio entre a criatividade explosiva de Relayer e a maturidade técnica que definiria o restante da década.
Para os admiradores do rock progressivo, trata-se de uma peça indispensável; para quem deseja
entender por que o Yes se tornou uma referência absoluta do gênero, talvez não exista porta de entrada mais convincente.
entender por que o Yes se tornou uma referência absoluta do gênero, talvez não exista porta de entrada mais convincente.
Poucos registros ao vivo conseguem transmitir tão bem a grandiosidade de uma banda em seu auge criativo.
Este álbum não apenas faz justiça à fama do lendário bootleg, como também passa a ocupar, oficialmente, um lugar entre os melhores discos ao vivo da história do rock progressivo.
Band:
Jon Anderson,
Steve Howe,
Chris Squire,
Patrick Moraz,
Alan White
Tracks:
01 "Apocalypse" (Intro)
02 "Siberian Khatru"03 "Sound Chaser"
04 "The Gates of Delirium"
05 "I've Seen All Good People"
06 "Long Distance Runaround"
07 Solo Spotlights: Excerpts from The Story of I and Olias of Sunhillow, alongside "Clap"
08 "Ritual"
09 "Heart of the Sunrise"
11 "Roundabout"
12 "I'm Down" (Beatles cover)


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