17 de mai. de 2020

VELUDO – “Ao vivo – 1975 – Festival da Banana Progressiva e Penetrando Todo Caminho Sem Fraquejar Ao Vivo 2017-2018” - 2020


Tenho escrito muito pouco aqui no blog por falta de estímulo musical, entretanto para minha surpresa, um grupo brasileiro e carioca, nunca poderia ter saído do meu radar, mas infelizmente escapou e, lá se vão mais de 45 anos de atraso em relação a banda VELUDO, portanto saio da toca mais uma vez.

Bem, tudo começou quando o perfil da banda apareceu em meu Instagram, e claro, tudo que se refere a música, sempre me chama muito atenção, e como era uma propaganda deste álbum, logicamente veio o susto, quando escutei o som, e quando dei por conta, tinha voltado para os anos 70. 

Não foi saudosismo, foi a nítida sensação de voltar no tempo e sentir o clima setentista ocupando o seu espaço, como se eu estivesse de volta ao meu doce bairro da Muda, no Rio de Janeiro, cercado de meus amigos e lógico, dos meus vinis. 

Entendo que acabei de passar recibo pela minha de minha ignorância em relação a uma BANDA, com letras maiúsculas mesmo, com uma incrível trajetória e uma gigantesca perseverança em se manter viva. 

Esse álbum duplo, antes de qualquer coisa, é um documento histórico musical, simplesmente imperdível e suas músicas para quem ainda não conhece o VELUDO, será uma gratíssima surpresa e para quem já conhece, vai se lembrar de um ícone do rock progressivo brasileiro, que já fez de tudo nessa vida, inclusive junto a outros ícones, como Mutantes, Terço e outras feras da música. 


Em algum momento em um dos vídeos postados, quem aparece tietando a banda é nada mais, nada menos que Sergio Dias Baptista, anotando o que via e ouvia em shows do VELUDO, para pegar inspiração, vejam só! 

Cabe lembrar que o VELUDO, iniciou seus trabalhos em 1974 e findou sua trajetória de forma prematura em 1978 sem lançar sequer um álbum naquele momento e, como muito bem dito no encarte do primeiro cd, é preciso entender o contexto cultural em que estavam inseridos, vivendo nos tempos do underground, das loucuras que aconteciam no Pier de Ipanema; da contra cultura e muito bem lembrado, da época da ditadura militar. 

Há uma sequência de vídeos contando a história da banda em forma de documentário que é simplesmente sensacional, mas esse ressurgimento da banda tanto tempo depois, tem nomes e sobrenomes, os quais faço questão de mencionar, pois é o mínimo que podemos fazer, além de comprar essa raridade de álbum, portanto,  cito o Nelsinho Laranjeiras, baixista e compositor, que liderou a banda e é o maior responsável por perpetuar a sua história, assim como, Claudio Fonzi, produtor Zaher Zein, pesquisador e patrocinador de projetos de rock progressivo, apelidado de Indiana Jones, pois realmente fez um resgate arqueológico para a criação deste belíssimo álbum.


O álbum está divido em dois cd’s, sendo o primeiro com 10 faixas, extraído gravação ao vivo em 1975, no Festival da Banana Progressiva, no teatro da Fundação Getúlio Vargas de São Paulo e, nesta época, salvo algum engano meu, a banda estava composta por Nelsinho Laranjeiras no baixo; Paul de Castro voz e guitarra; Elias Mizrahi nos teclados e voz e Gustavo Schoroeter na bateria. 

O segundo cd, não menos legendário e emblemático, nos brinda com gravações ao vivo, extraídas de shows em setembro de 2017 no Teatro Solar e em novembro de 2018 no Teatro Ipanema, com a integra do álbum “Penetrando Por Todo o Caminho Sem Fraquejar” de 2016, fora vários outros petardos incríveis, incluindo duas faixas bônus. 

Para este cd, a banda teve duas formações distintas, com Nelsinho Laranjeiras no baixo e direção musical; Antonio Giffoni nos teclados, Sergio Conforti na bateria; Silvio Romero na guitarra, Pamela Fer no vocal solo; Alexandre Valladão na guitarra e Foguete Barreto na percussão para o show do Teatro Solar em 2017. 

Por ocasião do Show do Teatro Ipanema em 2018, o VELUDO estava formado, com Nelsinho Laranjeiras no baixo e direção musical; Fernando Vinhas nos teclados; Sergio Conforti na bateria; Silvio Romero na guitarra e violão; Silvio Mazzei no vocal solo; Antonio Giffoni na guitarra. 

Essa obra, sintetiza de forma muito concisa a história da banda, em duas épocas bem distintas que se fundem em uma única, pois a ligação entre os dois momentos é inconfundível e, a qualidade musical permaneceu a mesma. 


Normalmente, a primeira impressão é a que fica, portanto o que posso dizer do primeiro contato com a música do VELUDO, é que fiquei perplexo com o que escutei, pois em se fechando os olhos, poderia estar ouvindo naquele momento Jethro Tull, Gentle Giant, PFM, Yes e Rick Wakeman tudo ao mesmo tempo e isso tudo só em um trecho de um dos vídeos que assisti. 

Obviamente, o VELUDO tem sua identidade própria, com o seu DNA muito bem definido, mas a sensação que senti, é fruto da destreza de seu integrantes em produzir a música característica de sua época, com uma fidelidade única e precisão cirúrgica na escolha dos timbres e arranjos musicais, portanto não havia como não se identificar em diversos trechos da música, toda a energia e poder viajante que até agora só os anos 70 conseguiu proporcionar. 

Cabe aqui abrir um rápido parêntesis, apenas para divagar sobre a importância da comunicação, pois levando-se em conta que eu tinha uns 14/15 anos na época, era morador da Tijuca, mais precisamente na Muda, no Rio de Janeiro, já curtia muito o rock progressivo, e não ter o menor registro de um fenômeno musical como o VELUDO, é no mínimo lamentável, ou seja, se já tivéssemos uma internet nos anos setenta, não seria de admirar, por exemplo, dar de cara com um vinil da banda intitulado hipoteticamente de “Veludo Live At Rainbow Theatre – 1976”, pois certamente teriam atravessado o atlântico e se juntado a nata do rock progressivo europeu. 



Voltando a realidade para finalizar esse imbróglio todo que criei, é muito importante dar os créditos para quem atua e colabora fora da frente dos palcos, para que chegue até as nossas mãos, um produto de qualidade, desde a embalagem plástica que envolve o cd até o seu precioso conteúdo. 

Coisa rara hoje em dia, é abrir um cd e encontrar um encarte, entretanto neste caso, são dois encartes muitos legais, com um pouco da história da banda, fotos de época e fotos atuais relatando os acontecimentos das duas épocas. 

É preciso lembrar também que o VELUDO é a fusão de vários músicos, oriundos de outras bandas e alguns outros que isoladamente também contribuíram pela sua essência e existência, portanto cito os seguintes nomes:

      CD1:
  • Faixa bônus, "As 10 Fases do Homem Comum", com Flavia Cavaca na Percussão, Rui Motta na bateria e Constant  Papineau nos teclados e a participação especial de Sergio Dias Baptista no vocais e Marcio Motaroyos no trompete;  
  • Faixa bônus, "Força, Luz e Calor", com Renato Piau na guitarra e Charles Chalegre na bateria;
     CD2:
  • Faixa bônus, "Beija Flor", com Miguel Pedra nos vocais; Ari Mendes no violão; Afonso Correa na bateria e Constant  Papineau nos teclados
Só resta agradecer muito a todos os envolvidos diretos e indiretos que participaram desta iniciativa em criar um projeto desta grandeza em um País que a cada dia que passa, se distancia cada vez mais da cultura, pois o rock, seja de que vertente for, é cultura sim!

 LINKS DA BANDA 

Tidal: https://tidal.com/browse/artist/5416022

Spotfy: https://open.spotify.com/artist/4OYkC0MLwDNh5JvUCCezvY

Instagran: @bandaveludo (Aqui é possível adquirir o CD!)

Facebook: Banda Veludo

Contato para Shows: nelsonlarajeiras@hotmail.com  

RENAISSANCE DISCOS
Rua Conde de Bonfim, 615 - loja 109 - Tijuca - Rio de Janeiro - RJ
e-mail: renaissance.claudio@hotmail.com
Whatsapp: 21- 99776-6973 - Claudio Fonzi


VIDEOS DA BANDA

Vídeo promocional do CD

 

Veludo  -  A Lenda do Rock Progressivo


Veludo  -  A História Oficial

31 de jan. de 2020

SOLARIS - “NOSTRADAMUS 2.0 – RETURNIT” - 2019

Começando o ano um tanto atrasado, mas levando-se em conta que estamos no País que só começa a trabalhar depois do Carnaval, me sinto até com o sentimento de estar cumprindo com o meu dever, mas, vamos para o que realmente interessa. 

A razão de poucas postagens é reflexo de poucas ofertas musicais que realmente mereçam atenção, mas quando temos um álbum novo do Solaris, isso é um sinal positivo, que nem tudo está perdido e há uma luz no final do túnel. 

Luz esta, intitulada de “NOSTRADAMUS 2.0 – RETURNIT”, provavelmente uma sequência do álbum Nostradamus de 1999, assim como já foi feito para o não menos emblemático álbum “Marsbéli Krónikák (Martian Chronicles) de 1984, tendo sua com continuidade em 2014 com o álbum Martian Chronicles II

A boa notícia, é que este lançamento, retorna com alguns nomes legendários do rock progressivo Húngaro, como Kollár Attila; Seres Attila; Bogdán Csaba; Gömör László e Erdész Róbert que já fazem parte da história música contemporânea, pelos seus feitos ao longo da existência do Solaris

Um álbum com uma suíte de quase trinta e cinco minutos, já é possível imaginar o que nos aguarda, pois nisso eles são mestres e, independente do idioma, que não é nada amigável aos nossos ouvidos por razões óbvias, a peça é simplesmente uma delícia de se escutar, pois tem um lirismo único que acompanha o Solaris desde seu primeiro álbum. 

Parte deste precioso DNA está na contido nas figuras de Kollár Attila com sua lendária flauta mágica, acompanhado dos solos viajantes de Erdész Róbert com seus sintetizadores e a inteligência musical de Bogdán Csaba empunhando sua guitarra. 

As demais músicas têm o seu tempo na casa dos três minutos, deixando um gostinho de quero mais, pois todas tem potencial para uma duração maior, entretanto é o que temos para o momento, portanto, vamos aproveitar que está muito bom. 

O negócio é falar pouco e ouvir muito este álbum que está muito, portanto só resta a mim, desejara a todos uma excelente audição. 

SOLARIS 

- Attila Kollár / lead vocals, flutes, tambourine
- Csaba Bogdan / guitars
- Róbert Erdész / keyboards, vocals
- Attila Seres / bass
- László Gömör / drums, percussion, vocals
- Vilmos Tóth / drums (1)
- Ferenc Raus / drums (2,4)

With:
- Edina Szirtes 'Mokus' / violin
- Zsuzsa Ullmann / vocals
- Gyorgy Demeter / vocals
- Ferenz Gerdesits / vocals

Tracks: 

01. Returnity I-VI (34:00)
- I 1960 Augusztus 1.
- II 1942 December 2.
- III 1986 Április 26.
- IV 1905 Június 30.
- V 1969 Szeptember 2.
- VI 1969 Július 20.
02. Double Helix - 1953 Február 28. (3:04)
03. Deep Blue - 1997 Május 11. (3:33)
04. Radioscope - 1926 Március 20. (3:54) 





LinkWithin

Related Posts with Thumbnails