31 de jan. de 2026

SOLARIS - "Solaris Archiv 3 - "Los Angeles 2026" -

 

Ano de lançamento: 2025

Genero: Rock Progressivo

Após um longo período de silêncio, o retorno se dá por meio de uma obra que, embora não inédita em termos de composição, revela-se fundamental para a compreensão histórica e estética da banda húngara Solaris

Solaris Archiv Vol. III: Los Angeles 2026 encerra a trilogia de lançamentos de arquivo do grupo e reafirma a relevância de sua produção no contexto do rock progressivo europeu dos anos 1980.

Diferentemente de um álbum de estúdio convencional, este lançamento apresenta-se como um bootleg oficial, reunindo demos de estúdio e registros ao vivo, alguns inéditos, outros já conhecidos por colecionadores. O material selecionado cobre um período significativo, de 1984 a 1990, que abrange desde os primeiros passos da banda até sua dissolução inicial, oferecendo ao ouvinte uma visão abrangente de sua evolução musical.

O eixo conceitual do álbum é a suíte “Los Angeles 2026”, aqui apresentada em uma versão demo rara e bastante distinta das interpretações mais conhecidas. Essa gravação evidencia o caráter experimental do grupo e sua disposição em trabalhar estruturas longas, narrativas musicais complexas e atmosferas cinematográficas, elementos que se tornariam marcas definitivas do Solaris.

Os volumes anteriores da série Solaris Archiv — es elsõ idõk e Noab,  já haviam demonstrado a consistência e a qualidade do material de arquivo da banda. Este terceiro capítulo não apenas mantém esse padrão como o aprofunda, reforçando a ideia de que mesmo registros considerados periféricos carregam alto valor artístico.

Do ponto de vista instrumental, o álbum confirma o elevado nível técnico de seus integrantes. As flautas de Kollár Attila desempenham papel central na construção das texturas melódicas, dialogando com os teclados sofisticados de Erdész Róbert e a guitarra expressiva de Cziván István, cuja atuação confere unidade e identidade ao som do grupo. Trata-se de uma formação em que o virtuosismo jamais se sobrepõe à coesão musical, mas atua sempre em favor da composição.

Há também interesse histórico em faixas como “The Last One”, executada apenas uma vez ao vivo em 1986, durante um concerto de despedida. Esse registro adquire valor documental, sobretudo quando se considera que o Solaris retornaria à cena musical em 1990 com o aclamado álbum 1900, reafirmando sua maturidade artística.

Em termos estilísticos, o Solaris se insere com propriedade na tradição do rock progressivo clássico, podendo ser comparado, sem exagero, a nomes como Genesis, Gentle Giant e Jethro Tull. No entanto, a banda preserva uma identidade própria, marcada por forte influência da música erudita e por uma abordagem melódica singular.

Solaris Archiv Vol. III: Los Angeles 2026 não é apenas um complemento para admiradores já familiarizados com a obra do grupo, mas também uma porta de entrada qualificada para novos ouvintes interessados em compreender a profundidade e a sofisticação do Solaris. Mais do que um registro histórico, o álbum reafirma a centralidade da música como elemento principal, dispensando excessos interpretativos e deixando que a obra fale por si.

Boa audição!    

Solaris:

Cziglán István – guitarra
Erdész Róbert – teclados
Gömör László - bateria
Kollár Attila – flauta
Pócs Tamás - baixo

Guests:

Kuklis Gergely – violino
Nyári László – violino
Benkő Gyula – viola
Sturcz András – violoncelo 


Tracks:

01. Los Angeles 2026 (demo from the 80’s)
02. Heart of the Snake (string quartet arrangements)
03. Wholesome Optimism
04. Jozsi Goes to Mátészalka (original concert demo)
05. Purple Mummy (cassette tape recording in the rehearsal room)
06. The Task (improvised melody)
07. The Last One (electronic music for pantomime)


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