13 de abr. de 2016

LOBÃO - "O Rigor e a Misericórdia" - 2016

Acredito que nos últimos quinze anos este seja o melhor álbum produzido aqui no Brasil, sim, o álbum do Lobão, “O Rigor e a Misericórdia”, produção 100% independente, sob todos os aspectos, pois ele fez tudo, executou todos os instrumentos musicais de forma exemplar e para completar o feito, não satisfeito, lançou um livro de mesmo nome simultaneamente. Já sei, alguém vai dizer, sim e daí? Simples, são bons “pra caralho!!!” 

Mas nem tudo são flores, eu preciso voltar uns trinta anos no tempo, lá pelos idos dos anos oitenta e confessar que eu o odiava com todas as minhas forças (....eu era muito careta....), apesar de contraditoriamente gostar muito de suas músicas, “Me Chama”; “Corações Psicodélicos”; “Decadence Avec Elegance” ,“Radio Blá”, “Vida Bandida” e tantas outras que ele fez, (...mas não contava pra ninguém...), pois ele tinha aquele “ar rebelde” estampado na cara que me incomodava muito (....acho que era aquele cabelão, o jeito de falar com certa superioridade que era foda de aturar.....). 

Para completar minha ira, alguns anos mais tarde vejo Lobão de braços dados com o maior problema da atualidade que estamos vivendo aqui no Brasil...., Lula, PT e cia....., pensei, agora fodeu tudo, se passar na minha frente eu passo com o carro por cima, não tem conversa, e com isso o meu ódio só aumentou. 

Entretanto, a História (com agá maiúsculo) é muito cruel e implacável, pois um dia ela chega e cobra seu preço, e isto aconteceu com ele, viu o monte de merda que fez em nome da democracia, achando que estava dando sua contribuição cívica e com o passar do tempo descobriu que estava rodeado por uma horda de aloprados com o firme propósito de criar um Projeto de Poder e não de Governo, lógico, pulou fora imediatamente.

Isso aconteceu poucos anos depois de seu engajamento no mundo político, e como já passou muito tempo desde então, a merda é a mesma, atualize-se agora, basta ler em qualquer site de informação, as manchetes de agora, de amanhã e depois, e depois......., ele enxergou isso muito antes de todos nós..., um visionário??, não, apenas sentiu na pele o que é estar nos bastidores do poder. 

Então pela primeira vez tive que reconhecer o seu valor como pessoa física, cidadã, pagador de pesados impostos, uma vez que publicamente admitiu seu engano e tornou-se um feroz desafeto de tudo o que representasse aquele projeto, seja na figura das pessoas, das ideias e de tudo mais....., mas para mim, ainda não era o suficiente, eu não estava convencido que ele pudesse ser uma pessoa legal.

O tempo passa, e mais uma vez, lá vem ela, a História, veio cobrar seu preço, desta vez eu era a vítima, e veio na forma de um livro, chamado “50 Anos a Mil”, deste mesmo Lobão, comprado com um único propósito, o de esculachar geral, ter motivo para falar mal e poder odiá-lo ainda mais.

Entretanto, fui atingido mortalmente logo nos primeiros capítulos, pois passei a enxergar um outro indivíduo, humano pra cacete, com seus medos e receios, de rara inteligência e cultura (....só lendo o livro para entender...) que teve a coragem de expor suas entranhas, dentro e fora do seio familiar, contando tudo o que aconteceu com ele desde a sua infância até tempos anteriores ao livro. Leiam, pois vale cada centavo de seu custo.

Então, pensei, “....mas que merda, virei um fã do cara, e agora, o que eu faço??? Agora velho, já era, e pouco tempo depois, eu começa a ler o livro, “Manifesto Do Nada Na Terra Do Nunca”, seu segundo trabalho literário, muito bom por sinal, que enfureceu alguns críticos vendidos que não merecem o menor crédito, bem como todos os escalões políticos, seguidores e afins dos aloprados, o que lhe rende até hoje uma série de chateações e prejuízos, inclusive de ordem financeira, pois em várias ocasiões, teve shows cancelados por ameaças veladas e algumas diretas junto a organizadores e produtores, mas enfim, este é o preço que se paga quando doutrinas violentadoras são confrontadas, mas o fim está próximo. 

Não quero ser piegas, mas não conseguiria por questões de ordem ideológica, escrever a resenha deste álbum, sem antes fazer o meu “Manifesto do Ódio na Terra do Xurupito”, pois não seria justo com o artista, portanto, isto feito, vamos ao que interessa, que é a música e o belíssimo álbum, “O Rigor e a Misericórdia”, onde Lobão não se preocupou nem um pouco em fazer uma música comercial (....aliás, acho que ele nunca teve esta preocupação...), fácil de escutar, pra tocar em rádios FM ou coisa parecida.

Fez o que quis, tocou pra cacete, teve a audácia e a coragem de produzir um álbum sem se prender a estilos musicais, algo incomparável, mostrando maturidade, virtuosismo e capacidade intelectual em produzir um material com real qualidade e esmero. 

Esta coragem é a que falta à vários bundões dos mais diversos segmentos musicais dos Brasil, que um dia fizeram sucesso e agora vivem à sombra do passado, com sabor naftalina e por conta desta covardia coletiva, propiciou-se o abre alas para o atual “FEBEAPA” – Festival de Besteiras que Assolam o País (Stanislaw Ponte Preta), para a categoria, “MPB do século 21”, um desastre total, culpa também de produtores raquíticos e medíocres intelectualmente e da nossa estimada e acéfala indústria fonográfica.

Não tenho a menor pretensão de fazer uma autopsia, música à música, mesmo porque, Lobão já se deu a este trabalho e fez isso de forma muito bem detalhada em seu mais novo livro,  intitulado, “Em Busca do Rigor e da Misericórdia”, descrevendo o processo de criação de cada música, onde buscou a inspiração e com muita precisão técnica descreve os instrumentos e softwares que usou em sua jornada solitária.

Paralelamente retrata de forma visceral suas tretas mais recentes com seus desafetos, que não são poucos, tendo em vista a sinceridade com que Lobão lida com os fatos e acontecimentos, principalmente do atual momento social e político e de suas consequências. 

O livro está disponível para usuários do Kindle ou em versão física na “amazon.com”, Saraiva e nas demais casas do ramo. 

Voltando ao álbum, logo na primeira faixa em um rompante progressivo, Lobão é possuído por uma entidade tecladista e manda ver em uma belíssima peça instrumental, chamada “Overture”, um prelúdio composto com um enredo cromático muito interessante, feito com harmonizações bem sofisticadas, completamente fora da curva da normalidade musical a que estamos acostumados nos dias atuais.


Aliás, a tônica deste álbum é estar fora da curva da normalidade sob quaisquer aspectos, pois além de ter tocado todos os instrumentos, deu uma caraterística inovadora no seu modo de cantar, as vezes em modo gutural, outras em tom de deboche o que lhe é muito peculiar e como fez a mixagem das músicas, deu uma nova perspectiva à sua voz, ou seja, ousou e se deu bem, mas teve gente esbravejando, o que é normal, afinal, gosto não se discute, se respeita.

Dois bons exemplos disso são as músicas “Os Vulneráveis” e principalmente a “Marcha do Infames” que teve claro endereçamento, com uma letra bem pesada, mas sem ser agressiva, que descreve nosso momento social e político, compassada em ritmo marcial o que confere um tom patriótico a canção e fere mortalmente a quem tem que ser ferido, sensacional.

Como todo álbum temático que se preza, sempre há um “gran finale” e Lobão não se fez de rogado, pois acertou na mosca, bem entre os olhos, com a música título, “O Rigor e a Misericórdia” e mais uma vez possuído, agora por uma entidade sinfônica, deu um banho de bom gosto no arranjo que fez sob medida para letra da música com uma riqueza de detalhes presente em todos os instrumentos, só percebido em músicas dos anos setenta....., seria uma influência dos tempos do Vímana??? Pouco importa, a música é sensacional, to com ela grudada na cabeça já a alguns dias.  

Resumo da ópera, particularmente gostei muito do álbum por sua excelência, diversidade musical, pois cada música representa um caminho bem distinto, com identidade própria, com linguagem independente, portanto, esse álbum possui uma dinâmica muito grande e capacidade de penetração bem abrangente para agradar a gregos e troianos, basta ouvir, o resto, vem naturalmente.

Ficha Técnica:
Lobão - Voz, todos os instrumentos e engenharia de som.

Tracks:
01. Overture
02. Os Vulneráveis
03. A Marcha Dos Infames
04. Assim Sangra A Mata
05. O Que Es La Soledad En Sermos Nosotros
06. Alguma Coisa Qualquer
07. Dilacerar
08. Os Últimos Farrapos Da Liberdade
09. A Posse Dos Impostores
10. Ação Fantasmagórica A Distância
11. Profunda E Deslumbrante Como O Sol
12. Uma Ilha Na Lua
13. A Esperança É A Praia De Um Outro Mar
14. O Rigor E A Misericórdia

LINKS

Spotify - https://open.spotify.com/album/15S4UCrGu36rKG1lUKkeCo
Deezer - http://www.deezer.com/album/12006112
iTunes  - https://itunes.apple.com/br/album/o-rigor-e-a-misericordia/id1068897086

20 de mar. de 2016

V. A. - “Zarathustra's Revenge - Tribute To Italian Progressive Rock Of The Seventies” - 1997

Hoje no Brasil estamos vivendo um momento muito triste, conturbado, mas muito importante para o futuro da Nação e não há como não estar envolvido emocionalmente, pois atinge diretamente a vida de todos, independentes das preferencias político partidárias.

O cenário atual mostra que a situação é uma chaleira cheia d’água que está prestes a entrar em ponto de ebulição a qualquer momento com consequências inimagináveis, pois a cada instante somos surpreendidos com novidades nada agradáveis e muitas das quais, nos faz sentir vergonha perante aos demais países.

Isto tudo acaba por interferir na vida das pessoas, inclusive na minha e não há como não refletir negativamente no andamento das minhas atividades aqui no blog que funciona para mim como uma válvula de escape onde posso compartilhar com os amigos e leitores que aqui frequentam, as maravilhas musicais que se encontram nas profundezas da internet a espera de alguém que as encontre e as divulgue.

Fica difícil ter um mínimo de inspiração para pensar e escrever algo que faça sentido diante de tanta barbárie que estamos tomando conhecimento pela massificação de informações que chegam a cada momento, através das diversas mídias e principalmente pelas redes sociais.

Entretanto, em um raro momento de paz que tive, cheguei até o CD box, “Zarathustra's Revenge - Tribute To Italian Progressive Rock Of The Seventies”, que está recheado de pérolas do rock progressivo Italiano, que oferece desde as bandas mais obscuras até as mais conhecidas.

Tradicionalmente as bandas italianas influenciadas pelo rock progressivo proporcionam uma música vibrante e muito passional, refletindo de certo modo as características pessoais de seu povo, e essa característica marcante encontradas em bandas como, PFM, Banco Del Mutuo Soccorso, Museo Rosenbach e outras, são encontradas também em bandas que tiveram menos apelo comercial, mas são tão tão boas ou melhores que as mais conhecidas, portanto há uma unidade musical muito forte no rock progressivo italiano o que o difere dos demais.

Como são quatro CD’s, tem música para tudo quanto é gosto e mesmo em se tratando de um álbum tributo, fica claro a presença de bandas e músicos escolhidos a dedo para a difícil missão de dar vida a músicas complexas e de difícil execução.

Imaginem, a suíte Zarathustra do Museo Rosembach, sem a emocionada voz de Stefano Galifi, substituída por um sintetizador!!!!! Blasfêmia??? Não, não é!!! Particularmente eu prefiro a música cantada, entretanto, trata-se de um digno tributo  às bandas do rock progressivo Italiano e alguns dos dogmas da vertente progressiva, é a capacidade de inovação, da mudança, de até certos exageros que são cometidos em nome de uma música vanguarda que caracteristicamente está sempre em movimento.

Por outro lado, existem reproduções bem fiéis aos originais e por exemplo, cito a música “Impressioni Di Settembre” do PFM, um monumento musical à poesia e ao lirismo, linda, inigualável, que a décadas continua a me emocionar e neste tributo não foi diferente, pois foi executada com muita emoção, por uma banda italiana, mais precisamente de Torino, chamada Zauber.

Este brevíssimo relato é uma gota no oceano, perto do que este tributo oferece com o melhor da música italiana setentista, um importantíssimo do berço do rock de onde surgiram grandes estrelas da música das mais diversas magnitudes.

A lista de homenageados é extensa e além dos já citados acima, temos também, o Le Orme, Alusa Fallax; Locanda dele Fatte; Quella Vecchia Locanda; Goblin; New Trolls, Il Balleto di Bronzo; Acqua Fragile e Ossana que são as bandas mais próximas de meu conhecimento, entretanto, este tributo abriu as portas para mais algumas bandas que eu não conhecia e com isso, a vontade de conhece-las mais a fundo surgiu, realmente valendo a pena dar uma conferida nos originais.

Para coroar este álbum, a lista dos que prestaram a homenagem não ficou atrás, portanto, alguns nomes muito bem conhecidos aparecem, como, Gerard, Fonya, A Piedi Nudi, Finisterre, Algebra, Arsnova, H2O e outros que não são de meu conhecimento, mas que com extrema eficiência cumpriram a missão de não macular estas músicas maravilhosas.

Para que eu não fique com um peso na consciência, sinto me na obrigação de destacar o Finisterre pela execução com precisão cirúrgica da música, “Alta Loma Five Till Nine”, que é no mínimo um Hiper Mega clássico do rock, pois simplesmente ficou perfeita, digna do expoente máximo do rock italiano, o Premiata Forneria Marconi, em minha humilde opinião.

Para quem quer fugir um pouco de toda esta confusão que estamos vivendo aqui no Brasil, fica o convite para audição deste belo trabalho e para aqueles que estão na boa, também.    

RECOMENDADÍSSIMO !!!!

Line-up / Musicians:
SEA REACH & FRIENDS (Finland) / A PIEDI NUDI (Italy) / ZAUBER (Italy) / MARY NEWSLETTER (Italy) / HOSTSONATEN (Italy) / FONYA (USA) / NOSTALGIA (Italy) / AVARTA (Italy) / LUNA INCOSTANTE (Italy) / PROWLERS (Italy) / FINISTERRE (Italy) / CLARION (Italy) / NOVA MALA' STRANA (Italy) / TRAMA (Italy) / MARCO MASONI (Italy) / ASTRAL WEEKS (Italy) / ATON'S (Italy) / NDLICH ALLEIN (Italy) / INTERFACE (Japan) / ICONAE (Italy) / ALTERA (Italy) / MAD CRAYON (Italy) / MASSIMO MAZZEO (Italy) / ALGEBRA (Italy) / MOUSE (Italy) / AUDIO (Italy) / STRANGE NEW TOYS (USA) / THE ANCIENT VEIL (Italy) MYROS (Italy) / ITALIAN ROCK SESSION BAND (Japan) / GERARD (Japan) / ARS NOVA (Japan) / FINNEUS GAUGE (USA) / LODOVICO ELLENA (Italy) / BLONDIE FOX (Italy) / NOTTURNO CONCERTANTE (Italy) / TMA (Italy) / BEGGAR'S FARM (Italy) / 3VEL (Italy) / PAGE (USA) / PHIL BEANE (USA) / EFTUS (Italy) / DREAM TOYS (Italy) / MINDFLOWER (Italy) / SEQUENZA PRINCIPALE (Italy) / FRANCO SERENA (Italy) / H2O (Italy) / MOONGARDEN (Italy)


Tracks Listing
CD 1
01. SEA REACH & FRIENDS (Finland) Principe di un giorno /Celeste/ (6:30)
02. A PIEDI NUDI (Italy) Era inverno /Le Orme/ (4:36)
03. ZAUBER (Italy) Impressioni di settembre /PFM/ (3:30)
04. MARY NEWSLETTER (Italy) In un vecchio cieco /Osanna/ (4:42)
05. HOSTSONATEN (Italy) Vorrei incontrarti /Alan Sorrenti/ (5:36)
06. FONYA (USA) PFM medley: River of life / Celebration /Paper charms /PFM/ (6:04)
07. NOSTALGIA (Italy) Ciò che nasce con me /Alusa Fallax/ (5:32)
08. AVARTA (Italy) Europa minor /Mauro Pagani/ (6:15)
09. LUNA INCOSTANTE (Italy) Sono un pesce /Flea/ (4:27)
10. PROWLERS (Italy) Ultima ora e Ode a J. Hendrix /The trip/ (11:07)
11. FINISTERRE (Italy) Alta Loma Five Till Nine /PFM/ (8:20)
CD 2
01. CLARION (Italy) R.I.P. (Requiescant in pace) /Banco/ (4:57)
02. NOVA MALA' STRANA (Italy) Luglio,agosto, settembre (nero) /Area/ (4:23)
03. TRAMA (Italy) Profumo di colla bianca /Locanda delle Fate/ (6:40)
04. MARCO MASONI (Italy) Medley: Areknames / Fenomenologia / Plancton / Tao / Meccanica /Battiato/ (7:44)
05. ASTRAL WEEKS (Italy) Molto lontano (a colori) /Le Stelle di Mario Schifano/ (4:18)
06. ATON'S (Italy) Canzone per un'amica /Guccini - Nomadi/ (4:08)
07. ENDLICH ALLEIN (Italy) Il duomo di notte /Fortis/ (4:48)
08. INTERFACE (Japan) Canto del capro /Cervello/ (6:37)
09. ICONAE (Italy) U.F.D.E.M. /Jacula/ (5:36)
10. ALTERA (Italy) Prologo /Quella vecchia locanda/ (6:00)
11. MAD CRAYON (Italy) Sotto i ponti /Pierrot Lunaire/ (6:38)
12. MASSIMO MAZZEO (Italy) Vecchie notti distese sulla spuma del mare /Portici/ (2:08)
CD 3
01. ALGEBRA (Italy) Felona e Sorona /Le Orme/ (13:12)
02. MOUSE (Italy) Zarathustra /Museo Rosenbach/ (8:25)
03. AUDIO (Italy) Sguardo verso il cielo /Le Orme/ (4:28)
04. STRANGE NEW TOYS (USA) Snip-Snap /Goblin/ (3:20)
05. THE ANCIENT VEIL (Italy) Gioco di bimba /Le Orme/ (3:08)
06. MYROS (Italy) Suoni /I Nomadi/ (3:36)
07. ITALIAN ROCK SESSION BAND (Japan) Concerto grosso n°2 - 1°tempo: vivace /New Trolls/ (2:54)
08. ITALIAN ROCK SESSION BAND (Japan) Primo incontro /Il Balletto di Bronzo/ (6:40)
09. GERARD (Japan) La conquista della posizione eretta /Banco del Mutuo Soccorso/ (8:23)
10. ARS NOVA (Japan) Epilogo /Il Balletto di Bronzo/ (6:20)
11. FINNEUS GAUGE (USA) Sconcerto /Il baricentro/ (4:50)
12. LODOVICO ELLENA (Italy) La realtà non esiste /Claudio Rocchi/ (2:03)
CD 4
01. BLONDIE FOX (Italy) Neve calda /Il Balletto di Bronzo/ (2:45)
02. NOTTURNO CONCERTANTE (Italy) Coffee song /Acqua fragile/ (4:09)
03. TMA (Italy) Il mercato degli dei /Battiato/ (4:48)
04. BEGGAR'S FARM (Italy) Dove... Quando... /PFM/ (3:22)
05. 3VEL (Italy) Akua /Il Baricentro/ (5:32)
06. PAGE (USA) PFM medley: Mr. 9'till 5 / Four holes in the ground / Grazie davvero /PFM/ (6:08)
07. PHIL BEANE (USA) Via Lumière /PFM/ (7:02)
08. EFTUS (Italy) Favole antiche /Celeste/ (10:18)
09. DREAM TOYS (Italy) Nel cuore nell'anima /Equipe 84/ (3:10)
10. MINDFLOWER (Italy) Non chiudere a chiave le stelle /Locanda delle fate/ (4:44)
11. SEQUENZA PRINCIPALE (Italy) Genealogia /Perigeo/ (5:13)
12. FRANCO SERENA (Italy) E' un giorno caldo, triste e fiacco /Le Nuvole di Paglia/ (3:38)
13. H2O (Italy) C'è un paese al mondo /Maxophone/ (10:58)
14. MOONGARDEN (Italy) There will be time /Osanna/ (4:30)


LINK
                                 
 
PFM - 1972 - Impressioni Di Settembre

13 de fev. de 2016

JOEY DEFRANCESCO - "Never Can Say Goodbye: The Music of Michael Jackson" - 2010

Olha ele de novo aí gente, sim, Michael Jackson, agora nas mãos talentosas de Joey DeFrancesco e sua banda, que mostra grande intimidade a frente do temível e legendário órgão Hammond e mesmo sem fazer grandes arabescos ou algo parecido para aparecer mais que a música, ele ao contrário disto, com muita elegância e habilidade soube equilibrar e harmonizar a fúria deste instrumento ao balanço das músicas de Michel Jackson e ainda arriscou soltar a voz saindo-se muito bem.

O álbum chama-se, “Never Can Say Goodbye: The Music of Michael Jackson”, lançado em setembro de 2010 que além do protagonista temos a seu lado uma incrível banda que o acompanha de igual para igual, fazendo deste, um delicioso álbum, bom de escutar, bater o pezinho para acompanhar as músicas e tudo mais que o gênero deste tipo de música tem a oferecer.

As músicas foram muito bem escolhidas e para mim como um mero ouvinte só faltou “Smooth Criminal” que considero uma das músicas mais incríveis de Michael Jackson, a qual inclusive tem uma versão metal fora de série já publicada aqui no blog (http://7062khz.blogspot.com.br/2013/12/v-thiller-metal-tribute-to-michael.html), aliás, este álbum é uma loucura total e completa, vale a pena dar uma conferida.

Deste fato, veio um questionamento imediato, pois pela segunda vez, eu estava postando de forma indireta a obra de Michael Jackson aqui no blog, que a bem da verdade, nunca foi um dos meus ídolos musicais, apesar de ter vivido bem à época dele, desde os tempos dos “Jackson Five” e ter total ciência da abrangência e grandiosidade que ele atingiu merecidamente e ter se tornado um ídolo da música Pop que por alguma razão inexplicável não conseguiu preencher o meu lado "The Dark Side Of  The Force".

Então, porque postar Michael Jackson aqui no blog se não há um vínculo forte entre o ídolo (pode até não ser meu ídolo, mas ele é um ídolo da música....) e eu, que por questões lógicas, só posto aquilo que eu gosto de ouvir, pois como não sou e nem me considero um crítico musical, não teria sentido eu postar algo que não houvesse uma forte ligação, apenas para eu ficar esculachando algo que não é do meu gosto ou pelo simples fato de não ter inteligência o suficiente para compreender determinado tipo de música.

Fazendo uma simples pesquisa no Google e pegando o primeiro link que apareceu, a “Wikipédia” (https://en.wikipedia.org/wiki/List_of_cover_versions_of_Michael_Jackson_songs), que nem é tão confiável assim, deve ter pelo menos uns cento e cinquenta nomes ou mais que já fizeram cover de alguma música de Michel Jackson,  alguns até de peso, como Alicia Keys, Celine Dion, Chaka Khan, David Garret, Diana Ross, Faith No More, George Benson, Henry Mancini, James Last, London Symphonic Orchestra, Metallica, Moscow Symphony Orchestra, Prince, Quincy Jones, Supergrass, The Miracles, Yngwie Malmsteen e tantos outros, inclusive com a presença de alguns brazucas.

Sim e daí? A maioria aqui citada e a que está na lista da Wikipédia é do mundo Pop, portanto há uma sinergia muito grande, entretanto, ouvindo algumas músicas em versões originais, com absoluta isenção, sem aquela vontade de esculachar geral só porque não é muito do meu gosto, pude observar o nível de cuidado, riqueza de detalhamento e sofisticação que os arranjos das músicas de Michael Jackson têm e, nem vou entrar no mérito da questão que seus “videoclips” sempre foram os melhores, mas nem isso eu conseguia enxergar quando era mais jovem.

Então, não é difícil entender porque a música dele passou e ainda passa pela mão de tanta gente de mais ou menos importância e ela não perde sua essência e originalidade, proporcionando ainda a possibilidade de uma nova leitura que pode agradar aos menos afetos como eu, que só vão enxergar a grandiosidade da obra de Michael Jackson nas mãos de outrem, pois foi o que aconteceu comigo.

Voltando ao álbum, cerne desta resenha, Joey DeFrancesco e sua banda, esbanjam elegância e ao mesmo tempo virtuosismo na medida certa, sem exageros, o suficiente para agradar e entreter quem esteja ouvindo, ao bom compasso de um jazz-blues.

De forma muito inteligente a primeira faixa é a música “Triller” e o sentimento que bate é de não ter para onde fugir, pois é boa demais, o arranjo está sensacional, as harmonizações do seu Hammond são simplesmente perfeitas e além disso como os músicos que o acompanham não ficam atrás, o ganho de escala é muito grande, ou seja, há uma amplitude musical que provoca uma expectativa muito grande em relação ao que podemos espera a próxima música, e ao final do álbum, o sentimento é de saudades, portanto voltar a primeira faixa em seguida não é de se admirar. 

No mínimo o que podemos fazer é agradecer a Michael Jackson (“In Memoriam”) por ter deixado tamanho legado e motivo de inspiração a tantos artistas e músicos que de certa forma o prestigiaram e homenagearam e especificamente agora a Joey DeFrancesco por nos presentear com este delicioso e incrível álbum.

PS: A resenha ficaria muito grande para aprofundarmos em quem é Joey Defrancesco, portanto vale uma conferida em sua homepage: http://www.joeydefrancesco.com/ , pois ele é o cara.



Músicos:
Joey DeFrancesco - numa organ, keyb duo organ, numa piano, hammond organ, trumpet, vocals 
Paul Bollenback - electric guitar, nylon-string guitar
Byron Landham - drums
Pat Bianchi - keyboards
Carmen Intorre - percussion
Ann Fontinella - violin
Annie Sciola & Samantha Aurelio - background vocals
Mark Reynolds - sound effects

Tracks:
01. Thriller (7:48)
02. Never Can Say Goodbye (5:52)
03. Beat It (7:13)
04. Human Nature (5:03)
05. Rock With You (6:30)
06. She's Out Of My Life (6:44)
07. The Way You Make Me Feel (4:55)
08. Lady In My Life (5:36)
09. Billie Jean (9:47)


Versão metal de Smooth Criminal

8 de fev. de 2016

ERIK NORLANDER - "Seas of Orion" - 2004

Esse é o cara, Erik Norlander, compositor e multi-tecladista de primeira linha, que tem como fonte de inspiração para seus trabalhos e modo como executar suas músicas nada menos que os deuses do Olimpo, Rick Wakeman, Keith Emerson e Jon Lord e isto está muito bem registrado em suas músicas.

Desta vez, vamos voltar ao ano de 2004 e chegar ao seu quinto álbum solo intitulado, “Seas of Orion”, muito mais próximo do progressivo eletrônico do “Tangerine Dream” do recém falecido Edgar Froese (01-2015), gênio alemão da música eletrônica, do que do progressivo clássico de suas principais fontes de inspiração.

Muito bem, isto significa que estamos frente a frente com um álbum naturalmente eletrônico, genuinamente instrumental, destinado especialmente a ouvidos afetos a este tipo de música, pois não estamos diante de um eletrônico dançante, mas sim a um eletrônico viajante, portanto é necessário que o ouvinte tenha certa dose de paciência e atenção para captar os mínimos detalhes que este tipo e composição oferece. 

Erik Norlander
Por falar em viagem, ela começa muito bem com a música, “Fanfarre For Absents Friends”, que é uma viagem frenética a bordo de um não menos frenético sintetizador que nos proporciona momentos memoráveis que nos remetem aos deuses do Olimpo acima citados, acompanhados de uma poderosa percussão sob a execução de Greg Ellis, marcando o compasso e os rumos dessa viagem.

Este álbum a rigor é bem dinâmico, com poucas ou quase nenhuma experimentação eletrônica que em alguns casos torna-se algo maçante e por muitas vezes acaba estragando o clima da música, fato este que não acontece neste trabalho, portanto é um bom sinal de divertimento, predicado essencial para um bom álbum.

Moog Modular
Este álbum segue um padrão único de comportamento, mas não causa monotonia de espécie alguma, pois a música de Erik Norlander atrai pela capacidade de criar diferentes atmosferas, portanto não é raro bater aquele “dejà vu” e sentir a presença de algo que já foi escutado em outras épocas (não vou pronunciar o que ou quem, para não perder a graça) e/ou mesmo, o modo da execução que é muito peculiar em muitos tecladistas que conhecemos.

A naturalidade com que ele mistura as tecnologias do passado com as do presente, talvez seja seu maior trunfo, pois dar sentido musical com equipamentos analógicos vintage como por exemplo, um Moog Modular de 1967 (aliás, fico pensando como ele conseguiu um raro instrumento como este) e de outro lado com um sintetizador  Alesis A6 Andromeda, que  tem agregada ao seu DNA as mais altas concepções tecnológicas.

Alesis Andromeda A6
Isso é uma tarefa dificílima que requer muito equilíbrio, sensibilidade musical e profundos conhecimentos técnicos do que estes sofisticados equipamentos podem oferecer para gerar um produto final com qualidade e principalmente que dê sentido lógico à obra. 

Este álbum ainda revela uma boa surpresa, pois há um pequeno cover da música “Opera Souvage: Hymne” do legendário “Evángelos Odysséas Papathanassíu”, sim o “Vangelis”, que é outro Mega-Hiper-Blaster compositor e multi-tecladista que tenho certeza que é também sem sombra de dúvidas fonte de inspiração para Erik Norlander

Bem, acervo musical ele tem de sobra, pois são nove álbuns de sua carreira solo, mais oito álbuns de sua banda, a Rockets Scientists e com a sua esposa que tem um belo vozeirão, Lana Lane, são mais dezoito álbuns, ou seja, o cidadão trabalha e estuda muito sobre tudo o que faz, portanto não é de se admirar que ele consiga produzir álbuns muito bons e consistentes, fazendo-nos sempre retornar aos seus demais trabalhos.

ALTAMENTE RECOMENDADO!!!!

Musicians:
Erik Norlander - Keyborads
Greg Ellis - Drums and Percussion

Tracks:
01 - Fanfarre For Absents Friends
02 - City Of Livings Machines
03 - New  Gotham Prime
04 - Adrift On The Fires Seas Of Orion's Shield
05 - Oasis In Stasis
06 - Opera Souvage: Hymne



3 de fev. de 2016

EMERSON LAKE & PALMER - "Live At The Mar Y Sol Festival '72"

Vamos começar o ano agora, um tanto atrasados, mas o ano anterior foi muito complicado do início ao fim para mim e acredito que para muitos também, por razões diversas que passam desde as questões políticas e econômicas, bem como as de ordem pessoal, portanto vamos engatar uma primeira e começar o ano com o pé direito.

Para tanto, nada melhor do que voltar bem no tempo, pelo menos uns quarenta anos para nos deparar com o ELP, isso mesmo, o Emerson Lake & Palmer, em plena forma, com tudo o que tem de direito.

E por estar plena forma, nada melhor do que se exibir em um festival de música, mais precisamente em Puerto Rico, regado a muito sol caribenho, intitulado, “The Mar Y Sol Festival '72”, mostrando como se faz e se executa música de verdade.

O mais interessante neste tipo de álbum e especificamente com o ELP é que quando estão sob os holofotes, tudo pode acontecer e o improviso comanda o espetáculo, portanto não é de se admirar uma exibição da música Tarkus, na íntegra durando 23 minutos ou mesmo eles estarem executando a música Rondo com seus mais de 18 minutos sempre dando uma nova dimensão a estas músicas.

Álbum de poucas e longas músicas, tudo o que um fundamentalista xiita progressivo como eu aprecia, logicamente recheado de muito virtuosismo e dedicação, notadamente registrado em cada nota, com Keith Emerson destruidor sobre seus teclados, sempre retirando tudo que um Moog Modular pode oferecer e Greg Lake com sua tradicional e poderosa voz e elegância ao empunhar seu baixo ou guitarra e claro, o não menos poderoso Carl Palmer a aplicar toda a sua fúria em sua antológica bateria com a sabedoria dos grandes percussionistas que o precederam.

Bem, o ELP é uma das bandas mais manjadas do Rock Progressivo, portanto, não adianta ficarmos nos alongando em elogios e rasgações de seda, pois realmente eles não precisam disto há muito tempo, mas vale a pena comentar este álbum em questão por não fazer parte da discografia oficial da banda e creiam, a gravação está ótima, com qualidade muito acima do que tenho escutado, dando para perceber detalhes sutis e muito interessante nas músicas.

Para começar, antes que a resenha acabe, o nome deste álbum é “Emerson, Lake & Palmer - Live At The Mar Y Sol Festival '72”, gravado na cidade Vega Baja, Puerto Rico entre os dias 1 a 3 de abril de 1972 e logicamente por tratar-se um festival, outros nomes de peso também estiveram por lá como, B.B. King; Black Sabbath; Faces, Dave Brubeck, Almann Brothers Bands, Alice Cooper; Osibisa e tantos outros que prestigiaram este evento.

Muito bem, quanto às músicas, lógico, só tem pérolas, pois além das citadas logo acima, temos também, Hoedown, Take a Pebble, Lucky Man,  Piano  Improvisation  (sensacional)  e pasmem, Pictures At An Exhibition sendo apresentada em um festival de rock, só mesmo sendo loucos e gênios, mas como eles se enquadram nas duas categorias, está tudo certo e podem crer, deu tudo certo.

Então amigos, feliz por estar voltando a ativa e logo com um álbum como este, só resta desejar um 2016 muito especial para todos esquecerem que houve um 2015 tão catastrófico como o que vivemos, portanto fica o convite estendido a todos a se encontrarem com mais esta gema do rock progressivo.

ALTAMENTE RECOMENDADO!!!!

ELP
Keith Emeson;
GregLake;
Carl Palmer

Tracks:
01.Hoedown
02.Tarkus
03.Take A Pebble
04.Lucky Man
05.Piano Improvisation
06.Pictures At An Exhibition
07.Rondo

LINK

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15 de out. de 2015

ANDERSON PONTY BAND - “Better Late Than Never” - 2015

Finalmente!!!! Demorou, mas finalmente saiu o álbum tão esperado da Anderson Ponty Band, intitulado, “Better Late Than Never” (nunca vi um título ser tão preciso quanto este) que eu já havia mencionado aqui no blog em agosto do ano passado em uma longa resenha que se comentava a reunião destes dois astros do rock.

Para quem está pegando o bonde andando e não está entendendo nada, eu estou me referindo a Jon Anderson e a Jean Luc Ponty, duas gemas preciosíssimas do universo rock que a praticamente cinquenta anos continuam a encantar com o seu talento. 

Ainda não deu tempo de escutá-lo com calma, mas o que se observa em um primeiro momento, é que há poucas músicas inéditas e na sua grande maioria foram usados antigos sucessos de ambos os músicos com uma nova roupagem e no caso das músicas de Jean Luc Ponty que tiveram seus nomes alterados, se já eram muito boas na versão original, agora com o vocal de Jon Anderson, ganharam mais cem anos de vida.

Esse álbum, assim como aconteceu com último álbum do Pink Floyd, “The Endless River” foi criado a partir de temas já conhecidos e consagrados dos dois artistas, o que de forma alguma é um problema, muito ao contrário, pois as músicas que não tinham voz criadas por Jean Luc Ponty, ganharam a alma de Jon Anderson.

Por outro lado, as músicas de Jon Anderson, ganharam um elemento que nunca tiveram, o mágico violino de Jean Luc Ponty, um mago insubstituível em seu instrumento, portanto ganham todos, principalmente nós, o destino final desta loucura toda, que por conta destes dois gênios, poderemos nos deliciar com este novo trabalho.

Vale ressaltar a força de vontade que tanto Jon como Jean tiveram em produzir um álbum depois dos setenta anos, pois realmente não é fácil, levando se em conta que depende de muita dedicação, criatividade e até uma certa dose de coragem, pois como as músicas são em sua maioria releituras e acréscimos sobre temas conhecidos, o balanço das críticas positivas e negativas, possa ser um incomodo.

Entretanto eu não acredito que isto possa acontecer, pois como são duas figurinhas extremamente queridas no meio artístico e principalmente por seus fãs que não são poucos acrescidos do talento nato que tem, mensurados em nível estratosférico, acho muito pouco provável que possam ter este trabalho crucificado por conta da falta de um álbum conceitual inédito.

Particularmente eu prefiro escutar este tipo de álbum do que escutar uma nova criação que geralmente soa inconsistente, fora de seu tempo, com vícios que se no passado eram a tônica, o máximo, hoje causam certo desconforto, pois a comparação é inevitável e muitas vezes nesta hora, somos cruéis e implacáveis com nossos ídolos, o que não é muito legal de nossa parte, mas infelizmente acontece.

Por fim, a única coisa que posso afirmar a respeito deste álbum neste momento, é que ele é extremamente agradável de se escutar, da primeira à última faixa, talvez até pelo vínculo muito íntimo que temos com seus criadores e suas músicas que são de conhecimento popular, portanto fica o convite feito a escutarem este belo álbum que tem tudo para agradar a todas as tribos espalhadas pelo globo terrestre.

ALTAMENTE RECOMENDADO!!!!

Anderson Ponty Band:
Jon Anderson - vocals, guitar
Jean-Luc Ponty - violin
Rayford Griffin - drums,
Jamie Glaser - guitar,
Wally Minko - keyboards
Baron Browne - bass

Tracks:
01. Intro
02. One In The Rhythm Of Hope
03. A For Aria
04. Owner Of A Lonely Heart
05. Listening With Me
06. Time And A Word
07. Infinite Mirage
08. Soul Eternal
09. Wonderous Stories
10. And You And I
11. Renaissance Of The Sun
12. Roundabout
13. I See You Messenger
14. New New World


12 de set. de 2015

THE BEATLES - "Why Don’t We Do It In The Bowl" - 1964/1965

Como nem só de rock progressivo vive o homem (no caso, eu) e o álbum em questão é no mínimo um registro histórico da banda mais famosa do mundo, claro que eu me refiro a “The Beatles”, com direito a gritaria histérica da mulherada ao fundo de todas as músicas e tudo mais, conferindo a autenticidade do que relato agora, dou uma parada na minha praia progressiva e parto para o puro e saudável Rock’n Roll.

A gravação está da melhor qualidade, o que é um fato raro, tendo em vista à época em que os shows foram gravados, portanto desde já, nossos maiores agradecimentos aos homens da remasterização deste álbum.

Hollywood Bowl
Este álbum, "Why Don’t We Do It In The Bowl” nos brinda com três shows realizados no não menos legendário Hollywood Bowl, a mais famosa concha acústica do planeta, situada em Los Angeles, CA, USA, no dia 23 de agosto de 1964 e nos dias 29 e 30 de agosto de 1965.

Obviamente há uma repetição de músicas entre os shows, mas em se tratando dos “Fab Four”, não é um incomodo, é um prêmio e como qualidade sonora das gravações está muito boa, pela gritaria dá para imaginar a loucura que foi um show desses, com casa cheia, a mulherada completamente enlouquecida com os quatro carinhas, fazendo o que de melhor faziam naqueles tempos, tocar de forma franciscana, o mais simples o possível, sem pirotecnias ou qualquer tipo de intervenção externa que não fosse a própria música. 

Acredito que como num alinhamento dos planetas com o sol, tudo conspirou para que estes quatro jovens músicos se tornassem uma lenda (algumas vivas e outras não) e talvez esse fenômeno esteja ligado diretamente à época em que surgiram, pós Segunda Grande Guerra, Guerra do Vietnam, as mudanças comportamentais da que a sociedade passava, logicamente tudo isto somado a inteligência musical que tinham e que é inegável.

As músicas realmente são um fenômeno pela simplicidade com que foram criadas inicialmente, utilizando-se de temas diversos, com curta duração, mas que no inconsciente coletivo, cada uma delas virou um hino em nossas mentes e este fenômeno parece que não quer acabar, pois até as gerações mais recentes também se rendem a elas.

Com toda esta simplicidade eles não só mudaram os rumos da música nos anos sessenta, como também influenciaram as demais gerações que vieram no aspecto comportamental, na moda e logicamente a música nunca mais foi a mesma com o surgimento deles e talvez pelo fim prematuro, o que abriu as portas dos anos setenta para a proliferação de vertentes musicais de toda a sorte e bandas de rock que até hoje habitam nossas mentes.

A separação deles é algo muito traumático até hoje, entretanto não podemos negar que com a separação, ganhamos quatro gênios musicais que isoladamente a sua maneira nos proporcionaram uma overdose musical sem precedentes na história da música contemporânea, pois será que com eles juntos, teríamos por exemplo, um momento tão mágico como foi o “The Concert For Bangladesh” de George Harrison, ou mesmo o surgimento de uma banda como foi o Wings de Paul MacCartney ou até mesmo será que teríamos tido o privilégio de escutar uma música como “Imagine” de John Lennon no auge de sua simplicidade, ou seja, o que se percebe é que de uma forma ou de outra eles mudaram o mundo.

Apenas abrindo um parêntesis, nem só de simplicidade eles viveram, pois à partir de 1967, se levarmos em conta álbuns como, “Magical Mistery Tour”, “White Album”, “Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band”, "Yellow Submarine" e "Abbey Road", todos muito influenciados pelo surgimento do movimento psicodélico nos final dos anos sessenta e principalmente pelo encontro que tiveram nesta época com o guru indiano, Maharishi Mahesh Yogi que os elevou a um outro plano espiritual através da meditação transcendental, contribuindo para o amadurecimento da banda. 


Tem uma música em especial dos "The Beatles", chamada “Tomorrow Never Knows”, que está disponível no álbum “Revolver” de 1966, que de tanto que já foi regravada, dá até para fazer uma resenha só para ela com suas diversas versões gravadas por grandes nomes de rock como, “Jimi Hendrix”, “Collage”, “Phil Collins” (pasmem, a versão é ótima), "Tangerine Dream", “The Mission”, “Living Colour”, “Herbie Hancock” e tantos outros.

Seu conteúdo já carregava um pouco do psicodelismo que começava a surgir, conferindo-lhe uma atmosfera intrigante, envolvente e hipnótica, talvez sendo uma das músicas mais complexas e sofisticadas que eles já criaram e uma das versões que mais gosto, está no álbum, “801 live” de "Phil Manzanera", simplesmente e absolutamente fantástica.

IMPERDÍVEL!!!!



Set List:




26 de ago. de 2015

BY THE POUND - “The Early Genesis Show” - 2015


Dia 29 de agosto quem está de volta aos palcos (finalmente) é o “By The Pound”, agora com seu novo show intitulado, “The Early Genesis Show” que terá apresentação única e imperdível na Matriz Casa Cultural, localizada na Rua Guajajaras, 1.353 – Terminal JK - Centro, Belo Horizonte, MG ás 20:30hs.

O que consegui descobrir desse show é que ele terá músicas extraídas dos álbuns, "From Genesis To Revelation" de 1969 e do "Trespass" de 1970 e mais algumas surpresas “Genesianas” que eles sempre apresentam em seus shows e como palpite meu, bem que poderia ter, “Fountain of Salmacis”, “Seven Stones”, “Musical Box” e quem sabe para fechar a noite em grade estilo, “Supper’s Ready” (essa é obrigatória!!!!).

A banda atualmente tem a seguinte formação, Andre Boechat (Teclados); Davi Aroeira (Baixo, Guitarra e Violão de 12); Bruno Zattar (Bateria); Hique Guerra (Flauta e Violão de 12); Ricardo Righi (Voz e Interpretação); Yuri Lopes (Guitarra e Violão de 12); Alessandra Carneiro (Atriz e Maquiagem); Silvia Góes (Atriz) e Gabriella Araujo (Figurinos).

O histórico musical desta banda é no mínimo sensacional, pois eles levam muito a sério o desafio de interpretar as músicas do Genesis que para quem é do ramo, sabe muito bem que não é para qualquer músico esta tarefa, tendo em vista a preocupação que eles têm em trazer para o público a atmosfera intimista e a teatralidade musical com que estas músicas foram criadas.

O cuidado com a afinação e o timbre dos instrumentos musicais é impressionante e para garantir isso, não fazem por menos ao se utilizarem de equipamentos vintage que como num túnel do tempo nos transporta para o início dos anos setenta, dada a absoluta fidelidade com que executam as músicas. 

Já tive a oportunidade de assistir a dois shows da banda, já comentados aqui no blog em março de 2012 quando da apresentação no “Rio Prog Festival” e posteriormente em julho de 2013 no show (antológico) do Teatro Don Silvério em BH, portanto além de suspeito por ser fã incondicional da banda, eu também me considero um agente informativo que sem medo de ser feliz, reforço o convite a todos os amantes da boa música que compareçam a este show.

Apenas para dar um pouco de água na boca nos fãs da banda, acredito que o álbum “And The Word Was.... Genesis” com parte das gravações coincidentes com a proposta deste novo espetáculo do “By The Pound” possa dar uma ideia do que eventualmente venha a acontecer neste show que com certeza promete muito.


IMPERDÍVEL!!!!


By The Pound:
Andre Boechat (Teclados); 
Davi Aroeira (Baixo, Guitarra e Violão de 12); 
Bruno Zattar (Bateria); 
Hique Guerra (Flauta e Violão de 12); 
Ricardo Righi (Voz e Interpretação); 
Yuri Lopes (Guitarra e Violão de 12); 
Alessandra Carneiro (Atriz e Maquiagem); 
Silvia Góes (Atriz) 
Gabriella Araujo (Figurinos).

Genesis - And The Word Was.... Genesis :
Peter Gabriel - vocal e percussão
Anthony Phillips - guitarra e vocal
Tony Banks - órgão, guitarra, piano, teclado e vocal
Mike Rutherford - baixo, guitarra e vocal
John Silver - bateria e vocal
Chris Stewart - bateria

John Mayhew - bateria
Tracks:
01. The Silent Sun
02. That's Me
03. Where the Sour Turns to Sweet
04. In the Beginning
05. Fireside Song
06. The Serpent
07. Am I very Wrong?
08. In the Wilderness
09. The Conqueror
10. In Hiding
11. One Day
12. Window
13. In Limbo
14. Silent Sun
15. A Place to Call My Own
16. A Winter's Tale
17. One-Eyed Hound 


16 de ago. de 2015

YES - "At The Mesa Arts Center" - 2015

Recentemente perdemos Chris Squire, baixista do Yes, que passou para um plano mais elevado deixando órfãos uma legião de fãs espalhados pelo planeta e que até o momento, aparentemente ainda não se conformaram com tamanha perda, pois passado uns quarenta e cinco dias da data fatídica, as manifestações de carinho e apreço pelo músico não param nas redes sociais. 

Esta resenha não se trata de uma homenagem póstuma de forma alguma, tendo em vista que sou radicalmente contra este tipo de manifestação, pois não há coisa pior do que a criação, evocação e adoração de um “mártir”, portanto minha homenagem é direcionada a ele, apenas como reconhecimento por toda uma vida dedicada ao rock.

Acredito que ele tenha sido um dos maiores, senão o maior baixista da história do rock em todos os tempos, pois ele teve a capacidade de elevar a categoria de seu instrumento que normalmente é considerada como um coadjuvante para o centro dos holofotes, tendo em vista o modo único de manipulá-lo com sua técnica inigualável.


Fora isto, tinha uma capacidade de criação muito grande, muito além da média, sendo um dos mentores intelectuais de tudo de bom que rolou dentro do Yes, mesmo nos momentos mais solitários e difíceis que banda passou ao longo destas mais de quatro décadas de dedicação ao rock.

Ele é o autor de um álbum solo absolutamente perfeito e fantástico, intitulado “Fish out of Water” lançado em 1975, onde seus dotes de vocalista foram revelados em suas músicas de consistência complexa e sofisticada que o levaram merecidamente ao 69º lugar do “Billboard Pop Albuns” e 25º lugar no “UK Albuns Chart” em 1976, apesar de ser um álbum progressivo até a alma.

Sua presença no palco era simplesmente carismática do alto de seus quase dois metros de altura que tive a oportunidade de assistir em duas ocasiões, sendo uma em 1985 no primeiro “Rock in Rio” e anos depois, em 1999 no “Olympia” em São Paulo e nas duas ocasiões seu vigor ao empunhar seu baixo foi percebido claramente.

Provavelmente o álbum, “At The Mesa Arts Center”, lançado no princípio de agosto deste ano, seja um dos últimos ou mesmo o último registro da presença de Chris Squire à frente da banda, composto originariamente por dois CDs e um DVD com a integra do show.

Este show é feito literalmente em cima de dois álbuns altamente emblemáticos e legendários, “Close To Edge” e “Frigile” que dispensam maiores apresentações dada a sua longevidade, lirismo e poesia que contagiam até hoje os velhos dinossauros do rock e suas proles mais recentes.

As músicas foram executadas com alto padrão de qualidade que é exigido dada a complexidade e sofisticação de seus arranjos, portanto cabe ressaltar o esforço hercúleo de Geoff Downes e Jon Davison, pois não é uma tarefa nada fácil estarem substituindo duas lendas vivas do rock (só para lembrar: Rick Wakeman e Jon Anderson respectivamente) com tamanha dignidade.

Há tempos atrás já havia feito algum comentário a respeito da velocidade de execução de alguns trechos de música que aparentemente estão um pouco mais lentos e neste álbum, continuo a ter esta mesma sensação, mas isso é apenas uma demonstração de minha personalidade rabugenta, dada a minha elevada longevidade, portanto, não deem crédito ao que disse e aproveitem muito este álbum, pois ele é muito bom, bom não, é ótimo!!!

ALTAMENTE RECOMENDADO!!!!

YES:
Chris Squire / bass
Steve Howe / guitars
Alan White / drums
Geoff Downes / keyboards
Jon Davison / vocals

Tracks:
Disc: 1
01. Close To The Edge
02. And You And I
03. Siberian Khatru
Disc: 2
01. Roundabout
02. Cans and Brahms
03. We Have Heaven
04. South Side Of The Sky
05. Five Per Cent For Nothing
06. Long Distance Runaround
07. The Fish (Schindleria Praematurus)
08. Mood For A Day
09. Heart Of The Sunrise


1 de ago. de 2015

ROCKIN' 1000 - "Learn To Fly" - 2015


Um fenômeno!!!! Quando algumas pessoas (mais de mil) são colocadas lado a lado para tocar uma música, com dezenas de baterias, guitarras, baixos e um povão que canta muito bem, apenas para pedir que uma banda de rock faça um show em seu país, algo de muito louco está acontecendo e essa banda deve ser no mínimo muito boa e carismática.

Em vinte e quatro horas, pasmem, o vídeo já havia recebido mais de quatro milhões de acessos e não foi por acaso, pois apesar da simplicidade da produção, o vídeo é sensacional, a música melhor ainda e acredito que este evento seja inédito e tomara que sirva de inspiração para outras iniciativas como esta.


A banda, “The Foo Fighters” é o centro das atenções e música não menos sensacional é a “Learn to Fly” que executada da forma que foi, se já era muito boa em seu formato original, que me desculpem seus criadores, ficou ainda muito melhor neste tributo, pois foi carregada de muita emoção e criatividade coletiva jamais vista, pois não eram quatro ou cinco pessoas em cena, eram mais de mil, se levarmos em conta os demais envolvidos.

A música por si só, é suficientemente competente para levantar defunto no caixão e faze-lo dançar e pular feito um louco, pois é muito contagiante e até um velho dinossauro do rock como eu, me rendi ao seu encanto hipnótico.


Quando me deparo com uma situação como esta, meu instinto musical me força a compreender algo sobre a banda, seus músicos e porque não sobre a sua música, uma vez que o formato das músicas desta banda não é o que normalmente eu escuto e quando isso acontece, é uma coisa muito boa, pois é mais uma oportunidade de aprender, conhecer novos horizontes musicais e estar acompanhando os movimentos musicais atuais bem de perto.

Meu medo inicial é que só esta música fosse muito legal, mas para minha gratíssima surpresa, há muito mais a ser escutado, e vejam vocês que eu só dei uma rápida escutada em uns dois álbuns para eu tirar este temor que pairava sabre meus pensamentos em relação à banda.


Um dos álbuns que escutei, foi lançado em 2011 e se chama, “Medium Rare”, só de covers, é bem eclético, pois passa por nomes como Paul MacCartney, Gerry Rafferty, Gary Numan e até o Pink Floyd, mostrando muita personalidade e ousadia com versões onde claramente se nota que estão assinadas com o DNA do “The Foo Fighters” que não esconde suas batidas grunge e que poderão ser conferidas acessando o link abaixo.

E não é para menos, afinal de contas Dave Grohl, carrega em sua bagagem, uma temporada de quatro anos com o Nirvana, um dos ícones do movimento Grunge, portanto não é de se admirar tal fato, entretanto sabiamente soube dosar seu aprendizado dando uma caraterística própria às suas composições. 


Voltando a “Learn To Fly” eu definitivamente assino meu atestado de incompetente, pois trata-se de uma música gravada em 1999, constante do álbum, “There Is Nothing Left to Lose”, ou seja, bem velhinha e o velhinho aqui nem conhecia, mas o curioso é que a música soa tão atual, e com aquele bando de músicos (todos loucos, no bom sentido), tocando com um vigor invejável, esbanjando juventude e tudo mais, prova que música não tem idade, é totalmente atemporal e quando tem qualidade, vence qualquer barreira, qualquer preconceito.

A motivação principal para esta resenha vai muito além da música ser muito legal, o "The Foo Fighters” ser uma puta banda da atualidade ou mesmo do vídeo ter ficado incrivelmente sensacional, mas o que mais me motivou a escrever foi o meu preconceito com este tipo de banda, que tem muito a contribuir para a música e para a cultura em geral, servindo para mim e outros como um alerta, que é necessário estarmos mais atentos, com a mente aberta para novas experiências e tendências musicais.


Não é a primeira vez que isso acontece e acredito que esta resistência natural a novos rumos seja uma característica dos nascidos dos anos sessenta e que viveram intensamente os anos setenta, assistindo de camarote o surgimento de bandas, como o Yes, Iron Maiden, ELP, Deep Purple, Led Zeppelin, Genesis, Jethro Tull, PFM, Rush e dezenas de outras mega bandas, que até hoje são influência para novos grupos, portanto quando há comparação, que em geral é equivocada, do passado contra o presente, as injustiças vem há tona, pois são momentos completamente diferentes. 

Finalizando, para quem já é familiarizado com o “The Foo Fighters” fica mais uma oportunidade de reencontro com a banda e para quem nunca tinha se dado conta dela como eu, fica uma grande oportunidade de aprendizado, conhecimento e reconhecimento do talento destes músicos.

Fabio Zaffagnini
NOTA: Nada acontece por acaso e sempre há uma cabeça pensante para que um evento como este aconteça, portanto não mencionar o nome do gênio que teve esta ideia e a materializou de forma brilhante, seria no mínimo um erro muito grave, portanto, Fabio Zaffagnini é o responsável por toda esta loucura que segundo a mídia internacional, deu certo o evento e o "The Foo Fighter" vai se apresentar na Itália, mais precisamente na cidade de Cesena em data a ser confirmada.  

SENSACIONAL!!!!




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